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Posts tagged “Danny Boyle

Você já viu 127 horas? E o vídeo original?

Pois aqui está parte do vídeo que Aron Ralston Lee fez como registro do momento desesperador pelo qual passava: um de seus braços estava preso por uma grande pedra depois de uma queda. James Franco o interpretou no filme, 127 Horas, de 2010.

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Extermínio, pai dos zumbis modernos

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Artigo escrito no fim de 2012 para publicação de Uberlândia (mas a publicação não vingou, fazer o quê?)

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Um homem acorda num hospital sem saber o que está acontecendo, pois o local que deveria estar cheio de pessoas está abandonado. Em poucos minutos, ele vai entender melhor a situação quando encontra uma pilha de corpos e é atacado por um morto-vivo. Essa cena pôde ser vista recentemente na série The Walking Dead, em sua primeira temporada, de 2010. Mas oito anos antes, ao som da banda de post-rock Godspeed You! Black Emperor, o apocalipse zumbi foi descoberto da mesma forma pelo ator Cillian Murphy, protagonista do ótimo Extermínio (28 Days Later, no original).

Em 2012, o filme do cineasta Danny Boyle completou 10 anos e como um das séries de maior sucesso do momento mostrou, seu legado foi muito maior do que os baratos US$ 8 milhões investidos na produção poderiam indicar inicialmente.

Extermínio não só foi um sucesso de bilheteria, faturando algo próximo de US$ 83 milhões pelo mundo, foi também o impulso para uma onda de filmes de zumbis em todo o mundo. Para se ter uma ideia, até o mestre criador do subgênero do terror, George Romero, voltou a filmar uma história de mortos-vivos com Terra dos Mortos, de 2005, exatamente 20 anos depois de O Dia dos Mortos.

Mas o longa-metragem de Boyle foi mais longe e criou tendência: os antigos zumbis lentos e decrépitos vistos pela primeira vez em A Noite dos Mortos Vivos, de 1968, se transformaram em verdadeiros atletas velocistas. Nessa mesma linha, seguiram a refilmagem do clássico Madrugada dos Mortos, de 2004, e o ótimo espanhol [REC], de 2007. E Brad Pitt os espera nos próximos como Guerra Mundial Z. Saindo do gênero, ainda temos os seres meio zumbis, meio vampiros de Eu Sou a Lenda, – e você pode até não concordar com o tipo de monstro nesse filme, mas não da influência. Repare ainda que em todas essas produções as atrações principais são seres que parecem ser guiados mais por um tipo de raiva do que apenas pelo instinto primário da fome.

A coisa fez tanto sucesso que, claro, a sátira do estilo não demorou a chegar. Ela veio em grande estilo na comédia Todo Mundo Quase Morto (também muito conhecida pelo título original, Shaun of the Dead). O longa retoma as origens vagarosas “zumbíticas” e faz graça com isso, ao mostrar seus personagens se aproveitando da “burrice” dos mortos-vivos e simplesmente se misturam entre eles andando de forma trôpega. Em 2009, Zumbilândia fez coro satírico, ainda que colocando os zumbis para correr. O que não impediu o protagonista de ter uma solução: é só manter o fôlego em dia e correr ao redor de um carro quando um pequeno grupo o persegue – assista e entenda.

Nada mal para uma produção que começou tímida, nas mãos de um cineasta que não havia feito um terror na vida e caprichou na inovação: Danny Boyle reciclou clichês como os ataques noturnos sob a chuva e criou um desfecho catártico para sua obra. Além de transformar Extermínio em um artigo cultuado, aplicando suas técnicas mais moderninhas, como buscar junto com seu montador cortes cheios de estilo e aplicar uma trilha sonora que dilui sombras em batidas pop.

Ganhou uma continuação cinco anos depois de lançamento – e vem ganhando fãs há uma década.


The Films of Kees van Dijkhuizen jr.

O editor holandês Kees van Dijkhuizen jr. tem um trabalho muito interessante intitulado The Films of, no qual faz um rápido (mas belo) apanhado da carreira de vários diretores. Obviamente ele ganha força com as imagens de gente boa como Tim Burton e Danny Boyle. Entretanto, as boas trilhas sonoras, normalmente tiradas dos próprios filmes ou vindas de grupos como Muse  e UNKLE, além de um bom ritmo de corte e escolhas de imagens eleva o nível dos vídeos.

Para exemplificar o talento do cara na mesa de edição, aqui vai o vídeo do meu diretor favorito entre os contemplados por Kees van Dijkhuizen jr.

The Films of David Fincher


Resumo (14 a 20 mar)

totoro_dvdMeu Vizinho Totoro* (Tonari no Totoro, 1988). De Hayao Miyazaki

Meu Vizinho Totoro é daqueles filmes feitos em cima de uma ideia simples, mas de realização extraordinária. A trama tem apenas um conflito, gerado para ser o clímax da narrativa, de resto é apenas a história de duas irmãs, recém-chegadas a uma zona rural do Japão, que descobrem a entidade Totoro, um ser grande e peludo que protege a natureza. De uma delicadeza ímpar, o filme é focado no relacionamento das irmãs com o mundo e cuja curiosidade simplesmente encanta a quem acompanha a história. A animação de Hayao Miyazaki dá conta do resto, detalhista e de uma beleza inigualável. A cena da chuva é um primor de direção e da qual saem os planos esteticamente mais lindos do filme. Fora que o senso de aventura do realizador é minimalista, conseguindo numa cena de voo, o que filmes inteiros de aventuras gigantes não conseguem: tirar  fôlego do público. Não fosse a resolução simplista para o conflito que fecha o longa, seria uma obra irretocável – atrevo-me a dizer que este é seu único defeito -, mas mesmo assim é saboroso ver uma produção calcada na delicadeza e de força tão grande como esta. Linda trilha sonora. Nota: 9

slumdog_millionaire-posterQuem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008). De Danny Boyle

Um filme cheio de miséria e com cenas de tortura pode ser delicado? Quem Quer Ser um Milionário?, apesar de algumas vezes apelar nessa intenção é relativamente bem sucedido ao contar a história do garoto zé-ninguém que vai chegar no topo do mundo apenas por sua experiência de vida. É um tipo de fábula moderna que leva em conta a violência do mundo e as mudanças radicais que um país de contrastes como a Índia tem. Saber misturar tudo isso numa trama claramente com um pé na “não-realidade” é um dos pontos positivos do roteiro de Simon Beaufoy, baseado no livro de Vikas Swarup. Não que ele seja perfeito, afinal, se é tão moderno assim, criar um vilão tão bidimensional não é algo aceitável. Contudo, a história dos irmãos Malik e da linda Latika é bonita e, incrivelmente, alto astral – inclusive com o artifício de redenção e punição para as pessoas más. As fortes influências de Bollywood ajudam na sequência de danças dos créditos. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez