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Resumo (28 jul a 3 ago)

american_hauntingMaldição* (An American Haunting, 2005). De Courtney Solomon

Não vou nem comentar a pobreza dos efeitos visuais dessa produção, que lembram muito alguns de TV feitos a toque de caixa. Mesmo porque os mais eficientes para a narrativa são relativamente bem acabados – e falta de orçamento não impediu que filmes como Evil Dead fossem bons. Mas com um orçamento de US$ 14 milhões era de se esperar algo melhor. O fato é que o roteiro de Maldição está entre a enganação e a falta de qualidade em si. O filme trata do caso da Bruxa dos Bell, caso famoso dos Estados Unidos. Diz que é o único tomado como um assassinato causado por um espírito. Mas no final das contas um letreiro deixa claro que aquilo tudo não passa de especulação a partir da história original. Depois temos que a trama com pouco mais de 80 minutos é apressada como se tivesse muita história para contar. Mas só parece. Se prestar atenção perceberá que a trama fica entre um ataque ou outro do poltegeist contra a Betsy (a linda Rachel Hurd-Wood) e nesse meio tempo mostra a família fazendo suposições sobre o caso sem tomar muitas providências – o pai da garota junto e amigos da família confraternizam enquanto o espírito vagueia pela casa. Chega a ser ridículo ver o personagem de James D’Arcy tentando explicar racionalmente uma menina suspensa no ar e sendo esbofeteada – talvez alguém no escuro a segurando, ele diz. Se algumas câmeras voando trazem alguma curiosidade ao filme, a exemplo daquela que vai ao encontro de uma carruagem, o uso excessivo de steady cams mostra que o apuro visual do filme também não é original e falta estofo para a produção – Possuídos fez muito melhor uso do recurso de tomadas errantes para representar um espírito. Cansativo ainda que curto, é bestinha ao incluir uma trama paralela nos dias atuais que não faz o menor sentido (afinal, por qual motivo ainda haveria uma foto conservada da família Bell na casa, pendurada na parede?). Espanta pelo elenco conseguido pela produção, com Donald Sutherland e Sissy Spacek. Nota: 3

*Filme assistido pela primeira vez


Crítica: Jogos Vorazes – Em Chamas

Catching-fire-movie-posterTudo em Jogos Vorazes – Em Chamas (The Hunger Games – Catching Fire, EUA, 2013) ajuda na correção do principal erro do filme original: a composição dos personagens, que foram tão sabotados na estreia da franquia nos cinemas. Fora que, se no filme anterior apenas a cena em que Katniss (Jennifer Lawrence) se voluntaria no lugar da irmã para os tais jogos mostra o peso daquela arena de forma dramática, aqui a todo tempo parece haver uma sombra pairando a narrativa. O que é mais que conveniente, é necessário para que se entenda a gravidade de tudo o que acontece.

E que bom que o primeiro terço de Em Chamas seja, de longe, o mais soturno de toda a trama, afinal, ao abrir o longa com uma protagonista traumatizada com os eventos do primeiro Jogos Vorazes, você já sabe que poderá vir algo mais adulto por aí. Fora que é extremamente incômodo ver uma revolução se aproximando e um Estado oprimindo seus cidadãos enquanto Katniss e Peeta (Josh Hutcherson), sementes do levante, precisam posar de garotos-propaganda da Capital. É aí que vemos boa parte das cenas mais emocionantes de todo o filme, a exemplo daquela em que um velho é morto a tiros por demonstrar sinal de esperança ou de toda a passagem em que se lembra a memória de Rue.

Como já deu pra perceber, essa continuação segue a vida do casal que venceu os 74º Jogos Vorazes e precisa fazer uma excursão pelos distritos de Panem como manda o protocolo. Além disso, para se manterem a salvo,  Katniss e Peeta fingem um relacionamento na frente das câmeras, que pode realmente acontecer quando elas são desligadas. No meio disso antigos sobreviventes de toda a história dos Jogos são convocados para uma edição especial da disputa, enquanto a nação parece entrar em colapso. Sob a regência de um novo diretor, vivido pelo ótimo Philip Seymour Hoffman, a arena de matança terá o objetivo não só de acalmar a plateia com seu circo, mas também como sinal de que a esperança do fim do regime fascista da Capital não mais estará entre aquelas pessoas, já que seus símbolos irão morrer.

Catching fire

Ainda que num primeiro momento Em Chamas seja um bom drama, logo o roteiro se mostra com a mesma estrutura do anterior: apresentação de personagens, convocação, treino, jogos. O que mesmo não sendo algo exatamente original, consegue evitar problemas sérios como os comentários de redundantes/expositivos do apresentador Caesar Flickerman (Stanley Tucci com muitos dentes e hiper carismático) durante a luta entre os tributos. A grande diferença do esqueleto da trama é o final em aberto que se completará com o próximo da franquia: A Esperança – Parte 1. De qualquer maneira, mais uma vez o roteiro de Simon Beaufoy e de Michael Arndt, baseado no livro de Suzanne Collins, mostra preocupação com os personagens ao deixar bem clara a tristeza de Effie (Elizabeth Banks), quando esta descobre que o jovem casal que ela assessora irá voltar a lutar. Lembre-se do visual da moça da Capital e entenda o quanto esse símbolo da futilidade consegue mostrar algum sentimento. Repare especialmente na atuação de Banks quando ela convoca novamente a dupla central. Interessante.

Em contrapartida há alguns bons furos durante a disputa entre os vencedores, como um plano que envolve ligar um cabo entre dois pontos, no qual os aliados escolhem ir ao ponto final e voltar ao inicial desenrolando o tal cabo, ao invés de fazerem uma viajem única para isso – o que garante mais tensão, em sacrifício à racionalidade. Isso sem falar em momentos importantes do clímax do filme que estão muito amarrados para serem casuais. Fora que as manipulações do jogo parece simplesmente passar despercebidas do público que assiste ao reality show sangrento – que tal ameaças que podem matar a todos de uma vez só, como uma bruma venenosa, e simplesmente não haver vencedor? O público reagiria de que forma se isso rolasse?

Se não é perfeito,  Jogos Vorazes – Em Chamas por outro lado dá um salto de qualidade inesperado. Ele ainda prova que um filme de personagens fracos, baseado apenas em momentos encaixados em um fio de trama, nunca terá o mesmo peso daquele que dá profundidade àqueles por meio dos quais história se desenvolve. Assim não temos protagonistas e coadjuvantes caminhando conforme narrativa manda, mas sim, criando-a.

Nota: 8

Catching fire 2


Há alguns anos… – Os Sutherland

Família

Donald Kiefer SutherlandDonald e Kiefer Sutherland, pai e filho, em algum momento entre o fim da década de 60 e o início da década de 70