Go ahead, punk. Make my day.

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Resumo (14 a 20 jul)

Frances HaFrances Ha* (Idem, 2012). De Noah Baumbach

Depois de ler muita, mas muita crítica boa para o filme de Noah Baumbach lá fui eu assisti-lo e o veredito, no fim das contas, é um tanto distante dos que vi por aí. Sim, aqui temos um filme de qualidade, mas não, eu não o achei isso tudo. Para mim, a maior dificuldade em apreciar Frances Ha foi a falta de identificação com a personagem-título no início do filme. Ao meu ver, o roteiro de Baumbach e Greta Gerwig (que protagoniza o longa) te pega desprevenido e inicia o projeto a mil por hora. Sem que você tenha tempo de se identificar com a garota nos primeiros minutos, ela termina um relacionamento por causa da amiga, dança em uma companhia e fala sobre um milhão de coisas até que eu conseguisse subir no bonde. O essencial aqui é o relacionamento de Frances com Sophie, sua melhor amiga, vivida por Mickey Sumner. É a separação de casas das duas que catalisa todos os acontecimentos e as mancadas do protagonista. E tome novos personagens surgindo em cena sem muita apresentação. É preciso estar bem atento. Fiquei até espantado com a rapidez dos cortes da montadora Jennifer Lame para um filme independente, além dos saltos de um lado pro outro que a trama dá. Mas fui em frente e, aos poucos, me habituei à maluquete Frances, que convenhamos, faz tanta besteira por tão pouca coisa que a certa altura comecei a questionar o Q.I. da moça – ela, pobre, vai morar em um apartamento de amigos com recursos, dispensa um emprego por insegurança e usa um cartão de crédito para passar dois dias em Paris quando não tem um caraminguá no bolso. Tudo bem, as coisas sem justificam pela personalidade excêntrica da jovem e você pode até rir, mas não deixou de me irritar em alguns instantes. Só que o que vemos na tela é uma atuação brilhante de Greta Gerwig e esse sim era um elemento que merecia todo os destaque que a produção teve. Nota: 7,5

Invocação do MalInvocação do Mal (The Conjuring, 2013). De James Wan

É aquela história: é tentando que se consegue. Nunca fui fã de James Wan, que tem uma carreira como diretor baseada no terror. Tirando o razoável Jogos Mortais, a meu ver, o cineasta nunca conseguiu se sair bem em um filme tenso ou de horror puro, seja no pouco original Sentença de Morte ou nas besteiras Sobrenatural e Sobrenatural – Capítulo 2. Mas eis que o cara me lança um dos melhores terrores recentes. O mais interessante é que Invocação do Mal consegue um resultado tão bom apostando em algo em que muitos erram feio: o som. Ao invés de trabalhar acordes da trilha sonora com volume no máximo, o cineasta investe em Joe Dzuban, o desenhista de som da produção, que elabora situações nas quais o som alto é altamente orgânico, como em um grito ou um efeito sonoro no momento exato para que a plateia se assuste – e tenha a certeza de que esses momentos não são poucos. Ponto também para o montador Kirk M. Morri, de precisão cirúrgica. Claro que a boa trama e uma grande quantidade de elementos de filme terror bem amarrados (maldições, exorcismos, demônios, crianças medonhas e até pés puxados na cama) fazem o sucesso do projeto. Dizem que é baseado em uma história real. Nem precisava para causar medo. Nota: 8,5

Moulin RougeMoulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!, 2001). De Baz Luhrmann

O filme que deu voz aos musicais modernos – Chicago deve seu Oscar a Luhrmann – foi definido certa vez como a junção do movimento Pop com a Belle Époque. Uma justa definição para um filme pensando nos detalhes, com visual embriagante e ousado por misturar um milhão de coisas e ainda se sair original, ainda que tenha uma trama romântica demais. Houve algumas crítica à época de seu lançamento relativas à histeria do ritmo imprimido aqui. Pura besteira, já que o filme é, em última análise, a visão de um jovem que conhece a vida boêmia e efervescente do fim do século XIX na então capital mais badalada de todas: Paris. O negócio é relaxar e curtir a história que incluiu, pelo menos, três musicais geniais (“El Tango De Roxanne”, “Elephant Love Medley” e “Your Song”) e outros tantos de qualidade acima da média. O mais interessante aqui é a junção de dezenas de músicas consagradas (de Nirvana a Madonna) para a crianção da trilha cantada pelos personagens. E Nicole Kidman se transforma na Marilyn Monroe de nossos tempo, enquanto Ewan McGregor poderia largar as telas e investir nos palcos. Muita gente boa junta. Nota: 9,5

*Filme assistido pela primeira vez

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Resumo (20 a 26 mai)

2 Coelhos2 Coelhos* (Idem, 2012). De Afonso Poyart

À primeira vista, o que salta aos olhos do espectador de 2 Coelhos é a caprichada pós-produção, seja nos efeitos visuais, na montagem ou nos retoques da fotografia. Tudo muito estilizado, moderno e ágil. O filme tem aquela pegada publicitária que fez a fama (e as críticas) de Cidade de Deus, mas elevada à décima potência. Não há, porém, a profundidade da crítica social nem o panorama do crescimento do tráfico no Rio de Janeiro que o longa de Fernando Meirelles levantou. Aqui, o diretor e roteirista Afonso Poyart, tem um alvo mais baixo. Ele cria o protagonista, Edgar, com um plano e segue a execução do projeto. É quase ao acaso que esse plano resvala na corrupção e esta se torna um tipo de alvo – se não fosse por um pequeno discurso de determinado personagem sobre o tema e uma fala de Edgar a respeito da fé em punição é provável que a temática passasse batida à maioria. O fato é que o final apoteótico e emocionante (parece inacreditável, mas acredite), mostra que a real vontade da produção é criar um arco esperto, inteligente e humano para um anti-herói. Para isso há um roteiro intrincado, que merece uma segunda passada de olho e a referência direta aos longas de Guy Ritchie – seja nas histórias sobre roubos e outros crimes de rua, seja na velocidade e dinâmica com que a trama se desenvolve, além da fauna de personagens inusitados encontrados na produção. Para fechar as qualidades de 2 Coelhos, há o elenco uniformemente bom, com destaque para protagonista (Fernando Alves Pinto), antagonista (Marat Descartes) e mocinha (Alessandra Negrini). Nota: 8,5

lo-imposible-the-impossibleO Impossível* (Lo imposible, 2012). De Juan Antonio Bayona

Choroso, mas ao mesmo tempo gráfico, esse drama espanhol (que resolveu se fazer com atores britânicos e falado em inglês), conta a história de uma família (Naomi Watts, Ewan McGregor e seus três filhos) que esta na Tailândia durante o desastre causado por uma tsunami em 2004. A trama fala de como a onda gigante separa a família, fere seus entes e se será possível o reencontro. As cenas iniciais de apresentação da família são relativamente bem comuns, falando de medos de voo e mudanças na empresa onde o patriarca trabalha, as quais podem afetar o futuro deles. A identificação é rápida, mas bem rasteira. O que muda quando a tsunami atinge o resort no qual estão. As cenas da inundação são muito bem dirigidas, seguindo o caminho de mãe (Namoi) e o filho mais velho (Tom Holland). Planos abertos e fechados são bem intercalados pela montagem de Elena Ruíz e Bernat Vilaplana, enquanto o cineasta J.A. Bayona (de O Orfanato) coloca sua câmera voando ou ao lado dos personagens, o que destaca o sofrimento particular daquelas pessoas e dá à plateia a dimensão do problema. Gosto ainda da cena em que as palmeiras são arrancadas com o avanço do mar e explode violentamente na invasão do hotel. É ali que você consegue se colocar no lugar daquelas pessoas e perceber que não há pra onde ir. Eles, então, se desencontram e tentam sobreviver. Enquanto isso, há um boa dose de horror com imagens de feridas, hospitais cheios e gente à míngua. Entretanto, não há coisa mais chata e forçada que um reencontro arquitetado com aquelas cenas em que uma pessoa não vê aquela que procura mesmo estando ao lado dela. É o que se passa aqui a certa altura e culmina no momento mais piegas da trama. Chororô recompensado por boas atuações (Naomi e, principalmente, Holland) e outros genuinamente bonitos, como a ajuda do adolescente a encontrar familiares alheios ou o lindo trecho em câmera lenta de Naomi saindo da água, após o pesadelo que passa embaixo d’água. Nota: 7,5

*Filme assistido pela primeira vez


Resumo (23 a 29 mai)

deception-posterA Lista – Você Está Livre Hoje?* (Deception, 2008). De Marcel Langenegger

Não basta ser um filme fraco, os distribuidores têm de inventar uma péssima tradução para o título. Mas isso não é culpa dos realizadores. Já o roteiro extremamente previsível é. O cineasta Marcel Langenegger até faz um trabalho razoável, mantendo a câmera calma quando deve (a maior parte do tempo) e sendo sutil na maior parte do tempo – pena não conseguir ser sempre assim, vide olhares estranhos para Hugh Jackman. Utilizando bem a fotografia fria de Dante Spinotti (dos ótimos Inimigos Públicos e O Informante), repare como o diretor inverte a expressão “observo as pessoas como peixes num aquário”, ao filmar o autor da frase, Ewan McGregor, pelos vidros das empresas onde trabalha ou num carrinho de uma ambulante pelas ruas. Contudo, nada que funciona bem consegue tirar a história escrita por Mark Bomback da lama. Desde o início, quando o personagem de Jackman aparece, é possível prever os passos do roteiro. Ele inicia uma amizade com o introvertido McGregor, o inicia num jogo de sexo e, enfim, vai parar num clichê absoluto do sub-gênero “sexy thriller”. Nem a lindeza Michelle Williams salva. Nota: 6

30-days-of-night-poster30 Dias de Noite (30 Days of Night, 2007). De David Slade

Poderia ter sido um filmaço sobre vampiros. Não foi. De qualquer maneira, David Slade saiu do surpreendente MeninaMá.com e tirou da cartola essa adaptação interessante da graphic novel homônima de Steve Niles e Ben Templesmith. Carregando o tom na violência e pintandod e vermelho a neve onipresente no longa, o cineasta tem um ponto de partida original: uma cidade ao norte do Alasca tem invernos com noites de 30 dias, ambiente perfeito para vampiros sedentos se banquetearem. É o massacre que será mostrado, porém a preparação para que ele ocorra, talvez seja o melhor do filme, quando Ben Foster mostra que é um dos atores mais injustiçados atualmente. Algumas soluções do roteiro para mostrar a população sofrendo ataques e ainda dar profundidade aos personagens são intilegentente econômicas. A exemplo do casal John e Ally que parece ter problemas com o casamento – mostrado apenas com os dois separados e um jantar que não os junta –, algo que mostra o cuidado do roteiro em dar algum background ao pessoal em cena. O terror vem de belas imagens como o voo em plongué no auge do ataque do vampiros – o qual mostra várias ações ocorrendo ao mesmo tempo –, ou de cenas cruas como o casal atacado pelo líder das criaturas que lembra não haver qualquer esperança, apenas “fome e dor”. O final anticlímax e o ritmo um tanto oscilante prejudicam o longa, mas a cena final é lindamente bizarra. Nota: 7,5

*Filme assistido pela primeira vez