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Framboesa de Ouro 2013

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Hoje à noite tem Oscar, mas já tem gente premiada nos Estados Unidos. Muito bom, mas ao contrário, pois os vencedores dos quais falo são aqueles que levaram para casa o Framboesa de Ouro. O prêmio que dá honras aos piores do ano passado, em 2013, glorificou o final da Saga CrepúsculoAmanhecer – Parte 2 ficou com sete das dez Framboesas distribuídas, inclusive Pior Filme e Elenco.

Parabéns, já que eles conseguiram bater coisas como Battleship – A Batalha dos Mares e Piranha 3-DD (?). Veja a lista:

Piores

Filme: A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Diretor: Bill Condon, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Atriz: Kristen Stewart, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Ator: Adam Sandler, Este é o Meu Garoto
Atriz Coadjuvante: Rihanna, Battleship – Batalha dos Mares
Ator Coadjuvante: Taylor Lautner, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Elenco: A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Remake, Sequência, Prequel ou Plágio: A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Roteiro: Este é o meu Garoto
Dupla em Cena: Mackenzie Foy e Taylor Lautner, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2

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Resumo (21 fev a 6 mar)

LastAirbenderPoster2O Último Mestre do Ar* (The Last Airbenber, 2010). De M. Night Shyamalan

Não que este seja o pior filme de M. Night Shyamalan (há A Dama na Água na frente), mas em filmes como o fraco Fim dos Tempos o problema estava principalmente no roteiro, o que também acontece aqui, porém sem qualquer lampejo daquele bom diretor que ainda criava boas sequências. Nessa adaptação do desenho animado “Avatar”, tudo é muito morno e corrido, não há espaço para os personagens, os quais simplesmente seguem a trama sobre grupos que dominam elementos da natureza em guerra. À espera de um messias para balancear as forças, o filme vai revelando que o salvador pode ter chegado, mas mesmo dando gancho para uma continuação Shyamalan não consegue se aprofundar nos dramas, nem na ação e seu roteiro acelerado ainda deixa buracos fenomenais – se a Nação da Terra consegue fazer aquele estrago no acampamento de trabalhos forçados da Nação do Fogo, por qual motivo não fez antes? -, isso sem contar a direção de pouca inspiração, que cria apenas um bom momento, já no final, quando Aang cria uma gigantesca barreira de água. Um desperdício de material. Nota: 5,5

metal_a_headbangers_journeyMetal – Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal (Metal – A Headbanger’s Journey, 2005). De Sam Dunn, Scot McFadyen e Jessica Joy Wise

Uma análise interessante e divertidíssima do mundo heavy metal feita por um antropólogo apaixonado pelo estilo musical. E as coisas vão além, trata-se de um modo de viver analisado em suas origens, influências, componentes e comportamento. Assim, é surpreendente saber que muitos dos rockeiros surgem em ambientes problemáticos financeiramente ou o quanto a música considerada pouco sofisticada tem pontos em comum com compositores clássicos como Wagner. No sentido cinematográfico é maravilhosa a fusão de “Prelúdio e Fuga em Dó Menor”, de Bach, com “Eruption”, do Van Halen, a certa altura do longa. Além do estudo da cultura headbanger, Metal ainda reserva uma verdadeira aula para quem quer conhecer mais sobre as inúmeras ramificações do gênero, feito por gente que entende do riscado: de Bruce Dickinson, do Iron maiden, ao sinistro Gaahl, do Gorgoroth, passando pelo esquisitaço Necrobutcher, pelo divertido Dee Snider e pelo boa praça Ronnie James Dio. Vale cada batida de cabeça. Nota: 8,5

knight_and_day_posterEncontro Explosivo* (Knight and Day, 2010). De James Mangold

Eu já disse que sou fã de exageros à lá Carga Explosiva e Adrenalina, mas o que acontece em Encontro Explosivo é justamente o contrário do que pretendem os dois filmes anteriormente citados: se levar à sério. Neste verdadeiro veículo para o charme de Tom Cruise as cenas de ação são cheias de “forçações de barra”, mas nada daquele tipo que fez a fama de Jason Stathan, e sim daqueles que fizeram a derrocada de Arnold Schwarzenegger em O Último Grande Herói. Você pode até achar estranho dizer isso de um filme que quer ser só bem humorado, mas Encontro Explosivo se leva bem à sério, tentando criar um super agente hiperbólico no início da trama, ele vai se tornando um cara que negocia demais para quem pode dar saltos gigantescos em motos e atirar com 100% de precisão. O ritmo alucinante na abertura dá lugar a um jogo de gato e rato sem graça aos poucos, já que exige-se um romance entre Cruise e Cameron Diaz – uma relação que ainda guarda aquele rompimento estratégico lá pelas tantas apenas para criar algum tipo conflito. E já que toquei no assunto, incrível como o roteiro estica um ponto de partida que daria no máximo um curta-metragem para mais de 100 minutos. Chato, exagerado e sem mojo. Nota: 5

cartazoficialacapitaldosmortosA Capital dos Mortos* (Idem, 2008). De Tiago Belotti

Tosco, engraçado e divertido, A Capital dos Mortos não é um bom filme, mas é legal. A trama: Brasília é invadida por zumbis e grupo de amigos tenta se manter vivo. Os atores: todos de segunda ou terceira – sei lá se são profissionais. A direção: criativa, mas descuidada – a cidade passa pelo apocalipse, mas há vários carros andando normalmente pelas ruas. O roteiro: criativo, mas clichê do início ao fim – narrativa fragmentada, entes tendo que ser mortos, teorias manjadas para explicar a invasão dos mortos, etc. E apesar da tosqueira, o longa é daqueles feitos para ser assim, mas não produzidinho como um produto buscando um nicho, está claro que foi feito na raça e capricha na podreira quase que involuntariamente. Não há a profundidade que George Romero um dia teve, porém não há picaretagem. O projeto é independente, saído da cabeça do diretor Tiago Belloti e filmado inicialmente com apenas uma câmera. O parto do longa foi de 27 meses e teve inúmeros colaboradores que tinham o único objetivo de ser um zumbi na eficiente maquiagem da produção. Para saber mais acesse o site de A Capital dos Mortos. Tem até DVD à venda. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez


Um cara chamado Oscar e a fruta sarcástica

E assim eu falei, dez dias antes da entrega do Oscar…

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O mais desejado, o mais odiado. Pouca gente sabe, mas a premiação dada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar, na verdade se chama Academy Awards – ou no aportuguesado Prêmio de Mérito da Academia. Já a origem do apelido deve ser conhecida por alguns. Bette Davis, ao ver a estatueta, disse que ela se parecia muito com seu primeiro marido, um sujeito chamado Oscar algum coisa. Ficou.

Mas origens à parte (ou não), a polêmica da vez está no ultra elogiado trabalho do cineasta Christopher Nolan em … errr… A Origem. Apesar das oito indicações à premiação deste ano, o filme não viu seu diretor figurar entre os melhores do ano, segundo a Academia. Ruim? Ô! Surpresa? Humm… Nem tanto. Depois que O Cavaleiro das Trevas foi limado da lista de indicados a Melhor Filme de 2008, o “esquecimento” desta vez pode ser um recado de que tem algo errado na relação entre o cineasta e a Academia (leia-se implicância). Mas guardem a fúria fãs. Guardem para 27 de fevereiro. Se o longa-metragem não levar para casa a estatueta de Melhor Roteiro Original, aí sim será a deixa para que o Coringa que você esconde sorria psicoticamente. Afinal, se A Origem não for considerada a narrativa mais inventiva da temporada é hora de fechar o boteco, ou melhor, jogar a pipoca no lixo.

Disputando 12 e 10 prêmios respectivamente, os campeões de indicações de 2011 foram O Discurso do Rei e Bravura Indômita – refilmagem dos Irmãos Coen que deveria receber um prêmio apenas pelo pomposo título. Como é? Se a fartura de indicações é garantia de prêmios? Nem sempre. Há dois anos, O Curioso Caso de Benjamin Button recebeu mais de uma dúzia de nomeações (exatas 13) e ficou com apenas três prêmios técnicos.

Contudo, não vou fazer previsões por aqui. Sou péssimo nisso. Mas se você quer acompanhar e fazer sua lista, a dica é ficar de olho nas premiações dos sindicatos: de atores, roteiristas, diretores, produtores, etc. Acima de qualquer outro “termômetro”, eles são os mais confiáveis para saber quem pode levar um “oscarito” para casa. O motivo é simples: a maior parte do eleitores das associações também marcam o ‘X’ no indicado ao Oscar favorito. E quer saber quem já saiu na frente? Natalie Portman, por Cisne Negro, Colin Firth, por O Discurso do Rei, e Christian Bale e Melissa Leo, ambos por O Vencedor. Todos premiados pelo SAG – Screen Actors Guild, o Sindicato dos Atores dos Estados Unidos. Com esse reconhecimento já devem ter começado a rascunhar aquele famoso agradecimento. “Obrigado Academia, obrigado fulano, obrigado beltrano” e música apressando o emocionado vencedor.

O Framboesa
Todavia, se você não ficar satisfeito com os escolhidos da Academia, como bem lembrou meu amigo Gilberto Almeida (ou @Gillberto), ao contrário do Oscar, o Framboesa de Ouro nunca comete injustiça. Vindo de um jurista cinéfilo, quem sou eu para dizer que ele está errado? Ainda mais depois das risadas que dei da categoria criada especialmente para tempos de películas tridimensionais. Fúria de Titãs, O Último Mestre do Ar, Como Cães e Gatos 2, Jogos Mortais – O Final e Nutcracker 3D concorrem como Pior 3D de Arrancar os Olhos. E aqui vai uma opinião: se Alice no País das Maravilhas não foi considerado um dos piores 3D do ano, os cinco indicados deveriam vir com o aviso: “Cuidado, certamente você terá náusea”.

Para quem não sabe, o Framboesa de Ouro é uma grande brincadeira que premia as maiores bombas do cinema norte-americano. Criado em 1980, este ano tem na liderança das indicações os vampiros e lobos de A Saga Crepúsculo: Eclipse e O Último Mestre do Ar, com nove nomeações de pior alguma coisa. Além deles, Caçador de Recompensas, Sex and the City 2 e Os Vampiros que se Mordam correm para as colinas para não receberem o prêmio de Pior Filme de 2010. Um deleite para os detratores. E se você acha que o Framboesa é odiado por todos, saiba que gente como Halle Berry, por Mulher-Gato, o diretor Paul Verhoven, por Showgirls, e Sandra Bullock, por Maluca Paixão, foram até a festa de “premiação”, receberam suas respectivas framboesas e ainda discursaram. No caso de Sandra, na noite seguinte ela esteve em outro palco. Dessa vez para agradecer ao Oscar de Melhor Atriz por Um Sonho Possível. Ironia fina.

*Texto originalmente publicado na Resvista Meio & Midia CULT em 17 de fevereiro de 2011

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O mais desejado, o mais odiado. Pouca gente sabe, mas a premiação dada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar, na verdade se chama Academy Awards – ou no aportuguesado Prêmio de Mérito da Academia. Já a origem do apelido deve ser conhecida por alguns. Bette Davis, ao ver a estatueta, disse que ela se parecia muito com seu primeiro marido, um sujeito chamado Oscar algum coisa. Ficou.