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Resumo (7 a 13 abr)

skeleton_key_posterA Chave Mestra* (The Skeleton Key, 2005). De Iain Softley

Assistir a esse terror é passar por uma experiência que não vai te trazer nada de novo, tampouco te fazer mal. A Chave Mestra tem a qualidade de prender sua atenção enquanto desenrola a história de uma garota que se mete em algo sobrenatural quando começa a cuidar de um senhor de idade em fase terminal de saúde. Curiosidade e alguns sustos é o que reserva a trama, que ainda tenta dar relevância ao chamado hoodoo, nem tão explorado assim no Cinema. O final traz uma surpresinha bacana e guarda certa maldade – muito bem-vinda em tempos de filmes cada vez menos corajosos. O problema é que não há uma cena arrebatadora em nenhum momento que te faça tremer nas bases. Justamente por ser um filme mediano, a produção não chega a empolgar tanto assim e é bem capaz de ser esquecida quando o segundo pedaço de pizza terminar em seu prato no rango pós-sessão. Não dá pra reclamar do elenco, pelo menos, que tem Kate Hudson convincente, Gena Rowlands estranha e John Hurt arrebentando sem dizer quase nada. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez

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Nostalgia cinematográfica

Quase Famosos - Penny Lane

Você certamente já ouviu dizer que um filme serve como válvula de escape da realidade. Não é para menos, afinal, a arte é assim como um todo. O Cinema dá movimento ao que a Literatura descreve ou ao que a Pintura também pode fazer. O Teatro faz isso, mas de outra forma. No entanto, o que realmente me chamou a atenção, pela terceira vez em dois anos, foi como um filme pode reconectá-lo a determinada época e como certas lembranças ficam enraizadas (ou idealizadas) em sua memória, vindo a ressurgir ao colocarmos os olhos em determinada produção anos depois.

Lembro de uma amiga, ainda no colegial, dizer que precisava ver um filme que lhe fizesse chorar. Ela andava com problemas familiares sérios e como éramos muito ligados naquela época, percebia como essa amiga vinha se sentindo angustiada. Bom, ela encontrou o filme que lhe tirou da realidade e lavou sua alma por alguns instantes pelo menos: À Espera de um Milagre. Um belo filme, realmente. Mas essa é a típica sensação que nos leva ao Cinema: que sejamos tirados de nossos mundos e sejamos apresentados a outros, de maneira física, histórica ou imaginária.

Revi recentemente Quase Famosos, um filme que fala de algo que particularmente gosto muito, o rock. Só que dessa vez, não foi a música que me prendeu, mas a nostalgia, a qual me fazia voltar à primeira vez que o assisti. Não sei bem qual era o ano, sei que que foi após 2002. Havia formado um grupo de amigos muito unidos e estávamos, como de costume, fazendo uma daquelas reuniões de quem não tem muita grana, mas sabe o que quer. Bebíamos na casa de uma outra amiga e depois comíamos o sofrido macarrão feito por mãos e mentes alcoolizadas. Ninguém reclamava e todos se divertiam. Foi uma noite agradável, que terminou com a história de uma banda fictícia e algumas histórias reais do mundo rock.

Mas isso se passou há mais de uma década – e lá ficou. Tenho contato esparso com um ou dois membros daquele grupo e não sei do destino de boa parte deles. Eu tinha entre 18 e 20 anos e ainda procurava um rumo para minha vida profissional, mas achava que aquela história, entre meus amigos, duraria ainda muito tempo. Não foi o caso. Sei que quando a groupie Penny Lane entra em cena, com o rosto iluminado de Kate Hudson, um recorte veio à minha mente daquela e outras noites de sábado do início da década passada entre uma cerveja e outra. A trilha sonora do filme, então, não ajudava a esconder certa tristeza de perceber que nada é para sempre. Era bem o tipo de música que ficava empurrando para o resto da turma: rock setentista com muito Led Zeppelin. E não há como esquecer o sofá macio da casa alheia enquanto os pais da pessoa estão fora da cidade ou simplesmente não ligam para o que se passa na sala entre aquela molecada que não parecia amadurecer.

Não sou de acreditar em coincidências ou em destino, mas chega a ser irônico que poucos dias antes de rever Quase Famosos, também esteve na gaveta do meu blu-ray Conta Comigo. Talvez o filme mais nostálgico e belo que o cinema americano produziu em mais de cem anos. E lá estava eu me lembrando da minha infância e das tardes na casa da minha avó assistindo à Sessão da Tarde. Com menos de 12 anos eu procurava por aventuras como a dos quatro amigos do filme, hoje tento me lembrar dos meus colegas antes da adolescência.

Spirited Away

Foi assim com esses dois longas, foi diferente com A Viagem de Chihiro. Exceto pela saudade, claro. A animação japonesa revi em 2011. O longa de Hayao Miyazaki tem dois componentes que me deixariam emocionado de qualquer forma. O primeiro deles são as inúmeras cenas contemplativas de campos abertos ou inundados depois de uma forte chuva. O segundo é o belíssimo desfecho da trama, quando a protagonista descobre uma relação muito mais próxima com seu amigo Haku. De qualquer maneira, quando, novamente pude assisti-lo, era eu quem estava em uma época conturbada, em que muita coisa tinha mudado na minha vida e eu não sabia muito bem para onde ir. As coisas não iam bem e era minha vez de estar angustiado e me sentir um tanto solitário naquelas paisagens. Mas eu não tive a alma lavada ou entrei em qualquer catarse. Foi só melancolia.

Sim, filmes são válvulas de escape. Mas é difícil não chorar quando eles te levam a momentos tão importantes de sua vida. Maldita realidade. Maldita nostalgia.