Go ahead, punk. Make my day.

Posts tagged “Leonardo DiCaprio

Há alguns anos… – Criaturas 3

Antes de qualquer corrida pelo Oscar.

Leo DiCaprio Leonardo DiCaprio, em sua estréia no Cinema, com 17 anos, em Criaturas 3 (1991)

Anúncios

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro

The-Amazing-Spider-Man-2-posterO que é mais interessante na nova aventura do Cabeça-de-Teia nos cinemas é a comparação com o produto cinematográfico mais similar a ele: Homem-Aranha 3, de 2007. Eram três vilões, um filme com mais humor e, ao mesmo tempo, mais interessado em emocionar. Só que onde estavam os erros daquela produção, percebe-se um cuidado um pouco maior em O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2, EUA, 2014). Ele equilibra risadas, empolgação e choro, junto à corja tripla que põe na tela. De quebra ganha a credibilidade que a nova fase do herói nos cinemas não conseguiu em seu filme anterior.

A falta de tempo dos inimigos de Peter Parker e o embolado roteiro que criava história demais para filme de menos fecharam a trilogia de Sam Raimi para o Aranha há sete anos e deixou um gosto amargo para muita gente que havia surtado com Homem-Aranha 2 – ainda hoje o melhor do herói no Cinema. Fora as cenas em que Peter faz contorno com lápis no olho, deixa franjinha e passa a dançar, as quais despertaram muita vergonha alheia por aí. Era para ser engraçado, mas essa comicidade chega mesmo na mais nova produção. A cena que reapresenta o protagonista é exemplar nisso: logo nas primeiras frases dele, durante a perseguição ao mafioso russo Aleksei Sytsevich, vivido por Paul Giamatti, você vai se afeiçoar ao personagem sem muito esforço, tamanha a zoeira do momento.

Isso sem contar que toda a sequência é criativa e visualmente espetacular, vide o voo do Aranha logo de saída. E você vai perceber que não é só ela, já que em todos os embates com Electro há sempre algo realmente interessante, seja no uso preciso das câmeras lentas no primeiro encontro entre os rivais nas ruas de Nova York, seja na bela plástica do combate entre as torres de energia mais à frente na trama.

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro

O que chama atenção é que o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner consegue organizar bem a participação dos antagonistas, que ainda inclui o Duende Verde. Enquanto há a introdução de Rino, Electro é responsável pela maior parte dos ataques diretos, por assim dizer, enquanto a Oscorp quase se transmuta em um personagem maléfico e impacta diretamente na vida Peter e de seu amigo Harry Osborn – não é segredo que ele se transformará no Duende. A coisa dessa vez funciona tão bem que um grande problema do filme anterior se transforma em um acerto aqui, pois muito da trama de parte desse time de antagonista vai ser resolvida em um inevitável O Espetacular Homem-Aranha 3. A diferença é que no longa anterior o mistério dos pais de Peter e também a busca pelo assassino do Tio Ben não têm qualquer empatia e são esquecidas quando surge o Lagarto aterrorizando NY. Dessa vez, porém, há potencial para que as “pontas soltas” sejam revisitadas, seja para saber como termina um combate ou o que alguém (que tem empatia, repare na construção do Duende) está tramando.

Não dá pra dizer que tudo são flores no roteiro, porém. Novamente o mistério dos pais de Parker volta a dar trabalho, ainda que seja de grande importância para o filme – e quando um detalhe sobre os experimentos de Richard Parker é revelado, é possível perceber que a transformação de Peter em super foi uma coincidência tão grande que beira o improvável. Mas, pelo menos, a busca por respostas do herói adolescente se resolve e isso sai da frente para que as coisas boas de O Espetacular Homem-Aranha 2 possam ser apreciadas.

O melhor disso é a “fofura” do relacionamento entre Peter e Gwen Stacy. De suma importância para o apoteótico desfecho da continuação, novamente Andrew Garfield e Emma Stone se saem muito bem na atuação e recebem a mão do diretor Marc Webb na empreitada de fazer o romance dos dois ser empático. A melhor das cenas é o reencontro do casal para tomarem um sorvete, quando o diálogo é bom, a direção é bem próxima e a química entre os atores é perfeita.

É de se destacar ainda a presença estranhíssima de Dane DeHaan, um tipo de cover de Leonardo DiCaprio. Além de ter traços que lembram o astro de O Lobo de Wall Street, a atuação de DeHaan chega a ter certos trejeitos de DiCaprio, como no momento no qual, em uma reunião, corrige outro personagem e diz “Mr. Osborn”. Ele melhora muito, no entanto, ao receber o traje do Duende e capricha na cara bizarra e insana. O que ajuda a dar fôlego ao terceiro ato de O Espetacular Homem-Aranha 2. Se o filme sofre com uma desnecessária cena longa de Electro em uma prisão e o uso do chamado ângulo oblíquo sem razão suficiente – repare quando a Tia May encontra anotações em um parede do quarto de Peter -, é a chegada do altergo de Harry que garante um final digno (e bonito) para a história.

Nota: 8

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro - Aranha


O remix do Lobo de Wall Street

The-Wolf-of-Wall-Street

Matthew McConaughey não só ganhou o Oscar de Melhor Ator por Clube de Compras Dallas, mas também roubou a cena em O Lobo de Wall Street – e anda fazendo barulho com a série True Detective. Nos poucos minutos em que Matthew está ao lado de (outro monstro) Leonardo DiCaprio, ele fala com rapidez, rispidez e inventa uma música para o personagem que dá o tom para as três horas do filmaço de Martin Scorsese.

Pois a galera do canal Eclectic Method, do YouTube, juntou o tema com uma série de falas do longa e fez um remix bacana e tão intenso quanto o personagem de DiCaprio. Diverte e nos lembra o quão maluca e vertiginosa é a história de Jordan Balfort.

Dica de Alexandre Barbosa

Sem mais falatório, aumenta o volume!


Oscar 2014 – Os vencedores

12 Years a Slave - Oscar

Bom, não houve tantas surpresas e Gravidade não venceu o Oscar de Melhor Filme (apesar de ser). O que não me deixou triste, afinal, o filme de Alfonso Cuarón levou sete prêmios merecidos para casa. E ainda que muito digam que se tratam dos tais prêmios técnicos, é ótimo perceber que essas estatuetas foram para elementos “não-artísticos” que só trabalharam em favor da narrativa do longa-metragem. Não temos ali efeitos visuais ou um som poderoso como um fim em si, eles estão lá para contar a história. Da mesmo forma que a falta de som espacial se transformou em campo fértil para trilha originalíssima de Steven Price, a qual, em certos momentos, até substitui os próprios efeitos sonoros inexistentes. Isso sem contar na fotografia fantástica de Emmanuel Lubezki.

O vencedor do grande prêmio da noite foi 12 Anos de Escravidão, que ainda arrebatou os prêmios de Atriz Coadjuvante, com Lupita Nyong’o, e roteiro adaptado. Ficou óbvia a preferência da Academia nessa 86º cerimônia pelo filme de Steve McQueen, que serve para nos lembrar do racismo de sempre. Mas eu ri muito quando a apresentadora Ellen DeGeneres ironizou e disse que havia duas escolhas: ou davam o prêmio para 12 Anos de Escravidão ou todos seriam um bando de racistas.

Enfim, ainda que o filme do ótimo McQueen não seja a joia gravitacional de Cuarón, não dá pra ficar reclamando de uma decisão mais conservadora dos jurados, afinal, não estamos falando de uma derrota xarope como foi a de Brokeback Mountain para Crash, Cisne Negro para O Discurso do Rei ou Taxi Driver perder para Rocky – Um Lutador.

Por falar em Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street perdeu em todas as cinco categorias paras quais foi indicado – inclusive melhor ator, com Leonardo DiCaprio -, enquanto Trapaça amargou uma derrota ainda maior, em 10 categorias. Matthew McConaughey e Jared Leto mostraram sua força por Clube de Compras Dallas e foram os atores vencedores da noite. OK, Cate Blanchett era a favorita, por Blue Jasmine, mas imaginei que Amy Adams, por Trapaça, poderia dar uma rasteira nela. Errei.

Já o U2 e Karen O., que tinham as melhores músicas indicadas, perderam para “Let It Go”, que, estranhamente, não teve Demi Lovato como intérprete durante a cerimônia.

Mas bacana mesmo foi ter a lembrança de Eduardo Coutinho no segmento In Memoriam desse ano.

E Jennifer Lawrence tropeçou e caiu de novo. Só que ela continua linda.

Vejam todos os vencedores da noite.

OSCARS

Melhor filme – 12 Anos de Escravidão
Melhor diretor – Alfonso Cuarón – Gravidade
Melhor roteiro adaptado – 12 Anos de Escravidão
Melhor roteiro original – Ela
Melhor ator – Matthew McConaughey – Clube de Compras Dallas
Melhor atriz – Cate Blanchett – Blue Jasmine
Melhor atriz coadjuvante – Lupita Nyong’o – 12 Anos de Escravidão
Melhor ator coadjuvante – Jared Leto – Clube de Compras Dallas
Melhor figurino – O Grande Gatsby
Melhor maquiagem e cabelo – Clube de Compras Dallas
Melhor animação em curta-metragem – Mr. Hublot
Melhor longa de animação – Frozen – Uma Aventura Congelante
Melhores efeitos visuais – Gravidade
Melhor curta-metragem – Helium
Melhor documentário em curta-metragem – The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Melhor documentário em longa-metragem – 20 Feet From Stardom
Melhor filme estrangeiro – A Grande Beleza
Melhor mixagem de som – Gravidade
Melhor edição de som – Gravidade
Melhor fotografia – Gravidade
Melhor montagem – Gravidade
Melhor design de produção – O Grande Gatsby
Melhor trilha sonora – Gravidade
Melhor canção original – “Let it Go” – Frozen – Uma Aventura Congelante


Crítica: O Lobo de Wall Street

Wolf-of-wall-street-posterExagerado, cômico, bizarro, excessivo, politicamente incorreto ou uma tormenta. Há muitas formas de se classificar O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, EUA, 2013), novo trabalho de Martin Scorsese. Mas o mais justo seria dizer que “cinema de primeira” é a expressão  que melhor enquadra a produção, que parte de algo que já vimos antes na obra do cineasta (biografias estilizadas) e que toma um rumo que poucos esperariam dele.

Comece pela pequena quantidade de cenas violentas que O Lobo tem. Isso não se esperaria de Scorsese. Passe pela comédia rasgada que permeia todo o longa-metragem, chegando à comédia física a certa altura, que não é muito comum na filmografia do diretor. E chegue a um ritmo completamente alucinante que, ouso dizer, não pôde ser visto em filme algum do cara. É bom que fique claro, O Lobo de Wall Street tem pegada e não tem lição de moral.

O filme conta a história real de Jordan Belfort, que aqui é interpretado com gosto por Leonardo DiCaprio. Mas dizer que aquela história é real chega perto de uma contradição, tamanho é absurdo que se vê na tela. Difícil de acreditar que em uma empresa de venda de ações haja tanta promiscuidade, desperdício de dinheiro e histeria como a que Belfort diz ter construído, e que o filme retrata com tanto vigor. Basta dizer que entre uma venda ou outra, os corretores tiram a pressão da rotina com orgias, drogas e bebida dentro do próprio escritório.

Não que essa seja a válvula de escape de trabalhadores explorados. Eles mesmos são escroques que fazem de tudo para ficar com o dinheiro do investidor. Como bem ensinou um dia Matthew McConaughey ao então pupilo DiCaprio em uma passagem fabulosa, na qual o primeiro engole completamente a cena – pausa: engraçado que o mesmo McConaughey pode tomar o Oscar de Leo DiCaprio por outro papel, em Clube de Compras Dallas, pelo qual também recebeu elogios. As lições foram certeiras e o personagem as replica ao grupo de funcionários que o segue quase como a um líder messiânico. Repare na cena em que Jordan canta a música que aprendeu e seus corretores fazem coro depois de mais um discurso como o de um pastor ao microfone.

Talvez a sequência que melhor ilustra as três horas de O Lobo de Wall Street seja aquela em que Jordan reposiciona a própria empresa e a vê deslanchar. Todo o momento é moralmente duvidoso, “hilariamente atuado” e lindo cinematograficamente dizendo. A montagem faz dele especial ao dar ritmo aos ensinamentos de DiCaprio a seus compadres – repare como, aos poucos, eles repetem as frases do protagonista e o momento se desenvolve com um terminando as falas do outros. Mas o roteiro também é impecável na construção da cena e a direção é nervosamente criativa. A passagem cresce de tal forma, em uma ótima elipse, que o que se segue é uma comemoração tão absurda, por conta dos resultados da empresa, que a única coisa a ser fazer do lado de cá da tela é rir.

O Lobo de Wall Street - Leo DiCaprio e Margot Robbie

Só que a cena não está sozinha. Há, pelo menos, uma dezena delas, usando diferentes níveis de baixaria que vão fazê-lo gargalhar. Até um em que, por meio de uma overdose de medicamentos, DiCaprio e Jonah Hill protagonizam um momento que, aos poucos, se torna em tenso e dramático ao mesmo tempo – além de ser de grande importância para a trama. Repare aqui como Scorsese é conhecedor daquilo que faz. Por meio de uma escada com meia dúzia de degraus, ele cria um obstáculo que, aos olhos do protagonista drogado, se transmuta em uma descida muito maior do que é realmente. Coisa de direção de gênio.

Há, no entanto, uma série de características já bem conhecidas de Scorsese, como a abertura a mil por hora que estabelece a base da narrativa, bem como o uso da narração em off para tal. Além disso, há flashbacks constantes e o cuidado com a trilha sonora, que aqui inclui Billy Joel, Bo Diddley e Foo Fighters. Elementos que já estiveram em Caminhos Perigosos e Cassino, por exemplo. Tal qual a linha ascendente/descendente do personagem principal. O que pode ser problema para o filme, que, no meio de tanto abuso e excesso acaba por se tornar um tanto previsível – quem diria, hein?

Da mesma forma que o excesso de narração, por vezes, torna algumas cenas redundantes. Além do mais, os 180 minutos da produção, ainda que não sejam pedantes, cansam e podem dizer duas coisas: ou que o filme realmente entende o quanto o excesso é importante para aquela história ou que a inebriante trama trouxe uma porção de autoindulgência a Scorsese.

A lição que se tira é a velha: melhor um filme gigante de qualidade, que um mínimo de gosto duvidoso.

Nota: 9

O Lobo de Wall Street - DiCaprio


New Year’s Day

Que venha o Cinema de 2014!

2014

Ao som…


Crítica: O Grande Gatsby

great_gatsbyJá é mais do que sabido que Baz Luhrmann gosta de histórias dramáticas (ou dramalhões), mas ele também é fascinado por glamour e seus dois melhores filmes até aqui demonstraram isso: são uma grande festa que cercam problemas humanos sentimentais (amor, ódio, ciúme). A opção do cineasta por recontar a história criada por F. Scott Fitzgerald, um dos romances mais celebrados da História, era algo que sempre pareceu natural. Não que O Grande Gatsby (The Great Gatsby, EUA/Austrália, 2013) não seja um bom longa, mas está claro que o novo trabalho de Luhrmann não consegue se desconectar de seus longas anteriores para contar a jornada de um jovem homem que vai conhecer o topo da cadeia alimentar social e seu vazio, por meio de um ricaço (Gatsby) que tenta ser diferente de seus “iguais”.

Para começar, mais uma vez, em um filme de época, existe a escolha de uma trilha anacrônica, que aqui inclui Jay-Z, Jack White, Lana Del Rey e Alicia Keys. Mas diferentemente de Moulin Rouge, não há um encaixe perfeito e as boas músicas poderão te tirar do clima do início do século passado e te jogar para um tipo de rave estranha na qual todos se vestem com smokings e tomam champagne. Da mesma maneira que é latente a repetição das festas vistas em Romeu + Julieta. Até a mesmo a estrutura da abertura do filme, de ritmo acelerado e com montagem de muitos, muitos cortes, lembra os dois filmes aqui citados. E que tal a Nova York saudosista mostrada numa tomada de grande amplitude que serviu para o mesmo fim em relação à Paris do musical de Baz?

E não é possível dizer que a escolha pela narração em off seja uma forma de ajudar a situar ou deglutir as coisas para a platéia. No fim das contas, ela se torna invasiva  e chega a estragar alguns momentos, como num crucial momento em que os principais personagens  se reúnem em um apartamento para acertar as contas e a narração quase estraga o fim da cena. E olha que se trata de um momento tenso e de bons diálogos na maior parte do tempo.

Só que o espetáculo montando nessa versão de Gatsby tem a mesma ambição que a adaptação de 1974, com Mia Farrow e Robert Redford, e se sai relativamente bem ao tentar levar o estilo de vida festeiro daquela época de uma forma mais palatável para nossos tempos – e aqui você pode escolher se gostou da idéia ou não – com muita loucura e sem se esquecer do elemento humano.

É aí que entram as atuações absolutamente carismáticas de Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire, amigos na vida real que aqui mostram uma bela química. São os dois, basicamente, que fazem O Grande Gatsby vencer. Fora que a belezinha chamada Carey Mulligan nunca foi filmada com tanta beleza – e se transforma naquilo que o personagem é: uma linda delicada menina sem individualidade.

Mas é sempre bom ver um diretor que tem uma visão e que ela seja usada em favor da história que ele conta, mesmo que não seja uma obra pessoal. Mas é por isso que um filme baseado em um livro ou outro material se chama adaptação – e essa termina de maneira particularmente operística e bonita, ainda que dramática, como o Luhrmann aprecia.

Nota: 7,5

Gatsby