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Um personagem, uma frase – Gladiador

Gladiator

“Eu vou te ver outra vez… Mas ainda não… Ainda não” – Sobe trilha “Now We Are Free”.

(Juba, Djimon Hounsou – Gladiador, 2000)

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Elenco de Alien de volta

O elenco de Alien

Tudo bem que é apenas um extra para os mais afoitos pelo novo jogo da marca, mas Alien – Isolation traz um grande  incentivo para quem quer comprá-lo na pré-venda: duas missões que trazem o elenco do filme original, de 1979, dublando os personagens. Ou seja, desde que Ridley Scott criou um mundo meio ficção-científica meio terror, será a primeira vez que Sigourney Weaver (Ellen Ripley), Tom Skerritt (Dallas), Veronica Cartwright (Lambert), Harry Dean Stanton (Brett), Yaphet Kotto (Parker) e Ian Holm (Ash) voltarão a atuar juntos nesse mesmo universo.

Eu diria que já que a galera se reuniu, que tal seria gastar mais uma graninha para que todo o jogo fosse com o elenco? De qualquer forma é curioso. Eu queria dar uma olhada. Abaixo há o teaser do game.

Ele será lançada para Xbox One, PS4, PC, Xbox 360 e PS3 em outubro.


Crítica: O Conselheiro do Crime

O Conselheiro do CrimeÉ até irônico que O Conselheiro do Crime (The Counselor, EUA/Reino Unido, 2013) tenha esse nome – no original, O Advogado, apenas. Quando mais se espera da esperteza do homem do título, descobre-se que o conhecimento jurídico dele não serve de nada e é ele quem recebe várias lições do submundo. Partindo de um roteiro original de Cormac McCarthy (autor do livro que deu origem a A Estrada), não se trata de um filme-parábola complexa como foi Onde os Fracos Não Têm Vez (outra adaptação de sua obra), mas traz uma trama sem qualquer concessão sobre ganância, ingenuidade e realidade.

São interessantes os encontros entre Michael Fassbender e aqueles com os quais se envolve no mundo do crime, como Javier Bardem e Brad Pitt. O primeiro aparenta confiança e troca  informações de como farão uma transação envolvendo um carregamento de drogas. O conselheiro, no entanto, é alertado algumas vezes de que aquilo não é para qualquer um e há muito mais que sua própria vida no tabuleiro do jogo. A primeira conversa com Pitt, nesse sentido, é um primor de construção e tensão. O ator se mantém no diálogo com Fassbender com um tipo de sorriso no rosto, mas a todo momento lembra que o negócio só tende ao pior. Não se sabe se é um teste ou mesmo um alerta – e em ambos os casos a conversa leva a risinhos de nervosismo.

A abertura do longa é de uma pessoalidade ímpar. Fassbender e sua namorada, Penélope Cruz, são flagrados em um momento extremamente íntimo e Ridley Scott filma tudo com a delicadeza dos lençóis do casal, o que estabelece a ligação forte entre eles e o público que vai ser necessária para que, à frente na trama, entenda-se outros alertas que o “conselheiro” irá receber.

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Fora que a arrogância e amor de Fassbender trabalharão para o clímax da história se tornar mais perigoso. Um clímax interessante, feito de ações que privilegiam o sentimento do protagonista ante a decisões drásticas que ele deve tomar e não exatamente do corre-corre que um longa sobre o crime poderia render. Culpa de Cormac McCarthy, que, em analogia, busca construir suas histórias por meio da movimentação dos peões no tabuleiro e não no ataque em si.

Se ele erra é em apostar em um desenvolvimento lento e cheio de muitos mistérios a serem desvendados aos poucos. A quantidade de diálogos importantes e as muitas metáforas exige muita atenção e pode fazer com que o espectador, por vezes, se irrite com a limitação de explicações. Funciona em criar corpo para o filme, que parece crescer, mas em uma análise um pouco mais criteriosa o que se descobre é que tudo poderia ter sido contado sem muita enrolação.

Ganha pontos pelo elenco afiado, do qual até Penélope, meio limitada pelo objetivo narrativo de seu personagem, se sai bem. Bardem, que parece se especializar em trabalhos exagerados, tem presença que mistura afetação com pinceladas de drama bem distribuídas. Assim como Pitt mantém charme na medida certa para fazer outro personagem cuja função não é se desenvolver com a história, mas apontar os objetivos de McCarthy em relação à lição de seu protagonista. Enquanto isso, Fassbender está frágil como em poucas vezes se viu em um filme com sua presença. O grande destaque, porém, fica para para Cameron Diaz. Vê-la em cena em  O Conselheiro do Crime é como se ela tivesse uma carreira “mirim”, na qual esteve em filmes bestinhas como Tudo Para Ficar Com Ele ou Encontro Explosivo, e agora cresceu. Perigosa e boca suja, merece atenção em temporada de premiações.

Nota: 7,5

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Crítica: Prometheus

prometheus_poster_07Com o perdão do trocadilho infame, assistir a Prometheus (Idem, EUA, 2012) é esperar por uma promessa que não vai se cumprir. Não se trata de spoiler, mas para um filme que tem a primeira metade com a missão de criar expectativa e levantar questionamentos sobre a origem da vida na Terra, a parte final é frustrante pelo desperdício de tamanho potencial.

A cena de abertura do longa é um bom exemplo do que pode vir por aí: em tom contemplador, a câmera voa por belas paisagens – algumas parecem telas impressionistas – até encontrar uma figura pálida ao lado de uma cachoeira. Ele bebe algo e sua morte parece criar vida. Dali começam a surgir os pontos de interrogação na cabeça da plateia, os quais terão ligação com a descoberta dos cientistas Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) de que não estamos sozinhos no Universo e que, possivelmente, pinturas rupestres mostram de onde, afinal, viemos todos nós.

É um início empolgante, que vai ganhando corpo com a viagem até a lua LV 223 para estudar essa tese. A introdução de David, o androide vivido por Michael Fassbender, é ainda mais promissora, pois se trata de um trabalho notável do ator, com sua movimentação mecânica e lógica que parece querer ultrapassar a barreira de sua programação, seja aprendendo Filosofia, seja pelo mistério que envolve o personagem.

A chegada em LV 223, o mesmo planeta visto em Alien – O 8º Passageiro e Aliens – O Resgate (correção: o planeta da série Alien é o LV 426), e a descoberta de pirâmides e seres gigantes conhecidos como Engenheiros – que mais tarde você acaba descobrindo se tratar de outra figura famosa da série Alien – dão forma à questão primordial da produção: quem são nossos deuses? As coisas, claro, não saem como o esperado, interesses maiores que a própria pesquisa estão envolvidos e a trama começa a descarrilar.

Para começar, não se sabe se o roteiro de Jon Spaihts e Damon Lindelof não tem estofo para responder as perguntas que ele mesmo faz ou se há uma descarada vontade de deixar pontas soltas para uma continuação. Fato é que o próprio filme dá um tiro no pé ao criar um momento no qual a protagonista Elizabeth Shaw passa a fazer inúmeras perguntas relevantes a determinado personagem e devido à força das circunstâncias nenhuma delas tem retorno. Para tentar preeencher esse espaço, um pequeno mistério é revelado gerando um novo conflito sobre os objetivos dos Engenheiros e Prometheus passa a ser um filme de ação com algum terror. Dessa forma, preguiçosamente, a produção emula um final que, na verdade, está longe do apontado pelo ponto de partida.

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Tudo bem que Ridley Scott cria boas cenas, seja na estranha figura aracnídea que aparece na porta da nave, seja na agonia de uma cirurgia para a retirada de um corpo estranho do abdômen de determinado tripulante. Mas mesmos essas passagens tâm sérios problemas, como a falta de motivação para a narrativa da primeira e o absurdo prosseguimento da segunda, quando a pessoa consegue correr após ser cortada profundamente.

E mais: ainda que Elizabeth ganhe certa profundidade ao confrontar seu cristianismo com a realidade do filme de que nossos deuses eram astronautas, é difícil acreditar que ela, cientista racional (em tese) ainda continue com sua fé ao saber disso. Em determinado momento alguém chega a comentar o fato: “Mesmo assim, você continua a acreditar?”. Mais uma vez faltaram explicações.

Ainda que problemático, não se pode dizer que este é um filme ruim, já que consegue, ao menos, prender a atenção até o minuto final. Além de ter uma ótima fotografia lúgubre como pede a narrativa – mas o 3D fica prejudicado por conta da escuridão extra dada pelo uso dos óculos.

De excepcional mesmo somente as várias referências à série Alien, que vão fazer os fãs procurarem com avidez. Elas são colocadas inteligentemente por todo o longa, seja num mural com a figura de uma das criaturas, seja em vermes ácidos, na nave na qual foram encontrados os ovos aliens ou no café da manhã pós-hibernação até chegar a LV 223 – só faltou a broa de milho.

E é interessante perceber a expansão tão grande de um mundo por meio de um prelúdio. Pena que ele ande só meio caminho.

Nota: 7,5

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Resumo (14 mai a 3 jun)

alien-posterAlien – O 8º Passageiro (Alien, 1979). De Ridley Scott

Quase um slasher movie no espaço, Alien faz uma ótima mistura de ficção científica e terror, apostando num visual arrebatador, seja na criatura desenhada por H. R. Giger ou na direção de arte que dá vida à nave cargueira Nostromo, uma gigante que corta o espaço e serve de cenário altamente sombrio para o ataque do alienígena. Os primeiros minutos do filme são perfeitos por estabelecer a atmosfera do terror que vem por aí: os corredores metálicos se contrapõem às salas iluminadas, quase assépticas, e ambos servem para criar mais impacto quando a tripulação encontra o monstro do título. Se de um lado aqueles corredores se tornam um ótimo esconderijo, as salas brancas são o melhor lugar para a primeira aparição do alien, estourando o peito de um dos viajantes espaciais sem economizar no sangue, o qual mancha o ambiente. Aprendendo bem a lição de Spielberg em Tubarão, o diretor Ridley Scott esconde sua criatura para causar mais impacto ao final, quando ela poderá ser mostrada com mais detalhes. O ritmo, contudo, é lento, estabelecendo bem as regras do jogo e abusando das imagens espaciais – a abertura com uma tomada mostrando o planeta no qual vai nascer o terror e o letreiro do filme sendo montado aos poucos é sensacional. O roteiro de Dan O’Bannon tem uma ótima sacada, emulando os caminhos tomados em Psicose, esconde sua verdadeira protagonista até que a nojenta larva Alien se fixa no rosto de John Hurt e o monstro encontrará sua nêmesis: Sigourney Weaver, a Ten. Ripley, até então só mais uma na tripulação da Nostromo. Nota: 9

AliensPosterAliens – O Resgate (Aliens, 1986). De James Cameron

Mudando completamente o tom, James Cameron assumiu a continuação de Alien e criou um filme de ação militarizado e com muitos efeitos visuais, além de finalizar com a sutileza em relação à aparição do bichão, ao colocar dezenas de aliens em cena. Se perde um ótimo elemento do original, Cameron consegue manter o clima de tensão, que cresce enquanto a história caminha. Assim, se alguns torcem o nariz para o “cinemão” de Cameron, que faz muito mais barulho ao aumentar o número de mortes de ambos os lados da guerra entre homens e aliens, é impossível não se divertir com algumas boas cenas que o cineasta tira da manga, a exemplo do ataque da larva na enfermaria ou dos aliens burlando o esquema de segurança dos mariners e os surpreendendo pelo teto. Mas Cameron vai além e consegue estabelecer um interessante paralelo maternal entre Ripley e a Alien Rainha. Enquanto a humana encontra a pequena e encantadora Newt, que logo se torna sua filha adotiva e alvo de seus esforços de proteção, a alienígena é tirada de seu trono procriador para lutar por seus ovos e larvas destruídos. O embate das duas rende a melhor cena de toda a série Alien, quando Ripley usa um robô-esteira como exoesqueleto. AliensO Resgate é um filme diferente de seu antecessor, evitando ser repeteco e conseguindo identidade, ainda que se aproxime mais do cinema comercial do que do autoral. Nota: 8,5

Para a próxima semana: comentários de Alien 3 e Alien – A Ressurreição.


Resumo (7 a 13 nov)

close-encounters-posterContatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977). De Steven Spielberg

Se você é o diretor de Tubarão, um dos maiores filmes de verão de todos os tempos, e logo em seguida trabalha numa produção como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, merece respeito. O motivo é só um: ambição. O longa de Steven Spielberg, apesar de todo verniz de blockcuster, mexe com conceitos ufológicos nunca antes explorados pelo Cinema. Os encontros do título são mostrados logo no início da produção, o que desencadeia uma mudança na vida de Richard Dreyfuss, que surta e acaba afastando a família. Enquanto isso, o cineasta François Truffaut é um pesquisador que vai atrás de evidências que provam a existência de vida alienígena. Contatos Imediatos é um dos filmes que mais merecem a alcunha de produção cinematográfica, pois pouquíssimas trabalham som e imagem de forma tão intensa, variada e redonda. Seja nos efeitos visuais iluminados e perfeitos, mesmo 34 anos depois. Seja na trilha sonora com as clássicas notas que estabelecem a comunicação entre homens e aliens. E quer melhor exemplo da inteligência do design de som do que os indianos entoando cânticos baseados nessas notas? Mais: uma linda fotografia que cria clima, aliada aos belos planos gerais de Spielberg que insistem em pôr o céu em evidência. Nota: 9

thelouThelma & Louise (Idem, 1991). De Ridley Scott

Thelma & Louise é um interessante caso em que um diretor de características pouco sensíveis, ainda que bom de serviço, está à frente de um material que consegue bons resultados com temática feminista e de relacionamento intimista. Ridley Scott, às vezes pesa a mão, é verdade, levando acontecimentos a verdadeiros espetáculos ou à violência exagerada, vide a explosão de um caminhão ou o sangue que não para de correr do rosto de uma quase estuprada Geena Davis. Na primeira, a situação parece exagerada e a segunda se mostra forçada na dramaticidade já grande por si. Contudo, é ótimo que o roteiro mantenha o possível abuso sofrido por Susan Sarandon envolto de mistério e que o policial vivido por Harvey Keitel seja humanizado, fazendo seu trabalho, mas procurando entender o que motiva as duas mulheres. Geena e Susan saem pelas estradas americanas de forma errante depois de matarem um estuprador. De qualquer forma, Scott filma paisagens cada vez mais desérticas de acordo com que a situação das duas se complica e cria uma das tomadas mais famosas da década de 1990, a qual fecha de forma poética o longa. Nota: 8,5