Go ahead, punk. Make my day.

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Resumo (14 a 21 abr)

Global MetalGlobal Metal* (Idem, 2008). De Sam Dunn

Três anos antes desse segundo documentário do canadense Sam Dunn, ele já havia feito um trabalho espetacular de didática e amor pelo rock pesado com Metal – Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal. Aparentemente a boa aceitação do filme fez com que o headbanger antropólogo fosse além em sua proposta de estudar o rock extremo. Global Metal é a continuação que mantém a qualidade da proposta e estuda o movimento banger sob a ótica da globalização. Dunn procura e acha a identidade do metal em localidades onde pouco ou nunca se ouviu falar a respeito de seu rock pesado. Bons e originais exemplos não faltam, como a visita à China – local onde mais curti o metal oriental – ou Israel – de onde sai a bela mensagem: qual a motivação de cantar sob trevas se o que se vive na região é tão ou mais terrorífico que qualquer história mítica? Apenas vendo por esse prisma, poderia concordar que o rock extremo pudesse tratar de temas iluminados. O filme gasta a maior parte do tempo traçando a tese de como essa cultura ocidental invadiu o oriente e se transformou em forma de expressão local. Mas é possível curtir Max Cavalera e outros brazucas falando da chegada do metal ao país e ainda se emocionar quando o Iron Maiden faz seu primeiro show na Índia. Eu disse “emocionar”? Se Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal foi didático, Global Metal é para iniciados – e só assim para entender essa emoção. Nota: 8,5

O Tigre e o Dragão O Tigre e o Dragão (Wo hu cang long, 2000). De Ang Lee

É de se entender o encanto do mercado norte-americano pelo épico de artes marciais de Ang Lee. Marcado no anterior por Matrix e seu kung fu, a belíssima produção de O Tigre e o Dragão não só enchia os olhos, mas empolgava em sua pancadaria absurda (mas linda, repito), com gente voando ou se estapeando em cima de bambus. Só que o filme ainda trata de dramas pessoais com delicadeza – e não se assuste quando alguma lágrima escapar ao término dos 120 minutos. Amor e liberdade são os temas principais em meio à trama de roubo da espada Destino Verde e de uma jovem pouco humilde e cheia de vontade de ser guerreira. O desenrolar da história ainda trata de costumes e respeito a tradições – da mesma forma como elas poderiam ser quebradas e de que maneira afetavam a vida na China antiga. Levou quatro Oscars, inclusive o de Filme Estrangeiro, e ainda concorreu a Melhor produção do ano. Vale quebrar preconceitos. Nota: 8,5

P2P2 – Sem Saída* (P2, 2007). De Franck Khalfoun

Tirando que a primeira hora desse terror metido a besta tenta ser algo psicológico e absolutamente nada acontece com a tensão do espectador, a fita bem que poderia ter caprichado mais na violência e engatado uma quinta marcha para que funcionasse. Não é o que acontece. Ainda que o filme estabeleça bem a situação de sua protagonista, que vai ficando realmente encurralada no estacionamento na saída do trabalho, o que se vê em seguida é quase pífio. Culpa, principalmente, do antagonista vivido por Wes Bantley. O ator que havia mostrado algum serviço em Beleza Americana, em 1999, depois parece ter se perdido na falta de expressão – em sua atuação e em seus filmes. Aqui ele não tem cara de mau e quando quer ser ambíguo fica com cara de bobo. É no momento em que ele se revela vilanesco e amarra a bonitinha Rachel Nichols à mesa, que as coisas desmoronam. Vê-lo com “naturalismo” naquela situação não consegue ser bizarro nem medonho e o tom da cena, que deveria ser assustador devido ao grau de psicopatia, se torna indiferente. Quando o sangue jorra de vez há até uma esperança de melhora, mas o que se vê em cena é um tipo de Quarto do Pânico sem tensão misturado com Sexta-Feira 13 sem trash. Nota: 4,5

*Filme assistido pela primeira vez

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Resumo (21 fev a 6 mar)

LastAirbenderPoster2O Último Mestre do Ar* (The Last Airbenber, 2010). De M. Night Shyamalan

Não que este seja o pior filme de M. Night Shyamalan (há A Dama na Água na frente), mas em filmes como o fraco Fim dos Tempos o problema estava principalmente no roteiro, o que também acontece aqui, porém sem qualquer lampejo daquele bom diretor que ainda criava boas sequências. Nessa adaptação do desenho animado “Avatar”, tudo é muito morno e corrido, não há espaço para os personagens, os quais simplesmente seguem a trama sobre grupos que dominam elementos da natureza em guerra. À espera de um messias para balancear as forças, o filme vai revelando que o salvador pode ter chegado, mas mesmo dando gancho para uma continuação Shyamalan não consegue se aprofundar nos dramas, nem na ação e seu roteiro acelerado ainda deixa buracos fenomenais – se a Nação da Terra consegue fazer aquele estrago no acampamento de trabalhos forçados da Nação do Fogo, por qual motivo não fez antes? -, isso sem contar a direção de pouca inspiração, que cria apenas um bom momento, já no final, quando Aang cria uma gigantesca barreira de água. Um desperdício de material. Nota: 5,5

metal_a_headbangers_journeyMetal – Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal (Metal – A Headbanger’s Journey, 2005). De Sam Dunn, Scot McFadyen e Jessica Joy Wise

Uma análise interessante e divertidíssima do mundo heavy metal feita por um antropólogo apaixonado pelo estilo musical. E as coisas vão além, trata-se de um modo de viver analisado em suas origens, influências, componentes e comportamento. Assim, é surpreendente saber que muitos dos rockeiros surgem em ambientes problemáticos financeiramente ou o quanto a música considerada pouco sofisticada tem pontos em comum com compositores clássicos como Wagner. No sentido cinematográfico é maravilhosa a fusão de “Prelúdio e Fuga em Dó Menor”, de Bach, com “Eruption”, do Van Halen, a certa altura do longa. Além do estudo da cultura headbanger, Metal ainda reserva uma verdadeira aula para quem quer conhecer mais sobre as inúmeras ramificações do gênero, feito por gente que entende do riscado: de Bruce Dickinson, do Iron maiden, ao sinistro Gaahl, do Gorgoroth, passando pelo esquisitaço Necrobutcher, pelo divertido Dee Snider e pelo boa praça Ronnie James Dio. Vale cada batida de cabeça. Nota: 8,5

knight_and_day_posterEncontro Explosivo* (Knight and Day, 2010). De James Mangold

Eu já disse que sou fã de exageros à lá Carga Explosiva e Adrenalina, mas o que acontece em Encontro Explosivo é justamente o contrário do que pretendem os dois filmes anteriormente citados: se levar à sério. Neste verdadeiro veículo para o charme de Tom Cruise as cenas de ação são cheias de “forçações de barra”, mas nada daquele tipo que fez a fama de Jason Stathan, e sim daqueles que fizeram a derrocada de Arnold Schwarzenegger em O Último Grande Herói. Você pode até achar estranho dizer isso de um filme que quer ser só bem humorado, mas Encontro Explosivo se leva bem à sério, tentando criar um super agente hiperbólico no início da trama, ele vai se tornando um cara que negocia demais para quem pode dar saltos gigantescos em motos e atirar com 100% de precisão. O ritmo alucinante na abertura dá lugar a um jogo de gato e rato sem graça aos poucos, já que exige-se um romance entre Cruise e Cameron Diaz – uma relação que ainda guarda aquele rompimento estratégico lá pelas tantas apenas para criar algum tipo conflito. E já que toquei no assunto, incrível como o roteiro estica um ponto de partida que daria no máximo um curta-metragem para mais de 100 minutos. Chato, exagerado e sem mojo. Nota: 5

cartazoficialacapitaldosmortosA Capital dos Mortos* (Idem, 2008). De Tiago Belotti

Tosco, engraçado e divertido, A Capital dos Mortos não é um bom filme, mas é legal. A trama: Brasília é invadida por zumbis e grupo de amigos tenta se manter vivo. Os atores: todos de segunda ou terceira – sei lá se são profissionais. A direção: criativa, mas descuidada – a cidade passa pelo apocalipse, mas há vários carros andando normalmente pelas ruas. O roteiro: criativo, mas clichê do início ao fim – narrativa fragmentada, entes tendo que ser mortos, teorias manjadas para explicar a invasão dos mortos, etc. E apesar da tosqueira, o longa é daqueles feitos para ser assim, mas não produzidinho como um produto buscando um nicho, está claro que foi feito na raça e capricha na podreira quase que involuntariamente. Não há a profundidade que George Romero um dia teve, porém não há picaretagem. O projeto é independente, saído da cabeça do diretor Tiago Belloti e filmado inicialmente com apenas uma câmera. O parto do longa foi de 27 meses e teve inúmeros colaboradores que tinham o único objetivo de ser um zumbi na eficiente maquiagem da produção. Para saber mais acesse o site de A Capital dos Mortos. Tem até DVD à venda. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez