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O Palhaço fora da disputa pelo Oscar

O Palhaço

Bom, lamentavelmente, o ótimo O Palhaço está fora da disputa pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Ontem a Academia soltou uma lista de nove pré-indicados, dos mais de 70 inscritos, e o longa se Selton Mello não estava lá. Pena. Os indicados serão anunciados no dia 10 de janeiro.
Confira a lista dessa sexta-feira:

Amour, de Michael Haneke (Áustria)
War Witch, de Kim Nguyen (Canadá)
No, de Pablo Larraín (Chile)
A Royal Affair, de Nikolaj Arcel (Dinamarca)
Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano (França)
The Deep, de Baltasar Kormákur (Islândia)
Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega)
Além das Montanhas, de Cristian Mungiu (Romênia)
Sister, de Ursula Meier (Suíça)

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O Brasil e o Oscar – O Palhaço

Com a Academia já tendo recebido os mais de 70 candidatos ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, aqui vai meu texto sobre o nosso concorrente.

O Palhaço

No início do ano, ele recusou um convite para fazer parte do elenco de Star Trek 2, mas parece que Selton Mello tem mais uma via até Hollywood. Seu segundo filme como diretor, O Palhaço, foi escolhido como o representante do Brasil à disputa de uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no mês passado. Um caminho que pode até ser mais digno do que um papel de terceira numa continuação de blockbuster. Mas a História brasileira no Oscar mostra que o caminho verde-amarelo na Academia não é dos mais frutíferos.

Desde 1944, quando Ary Barroso foi o primeiro brasileiro a receber uma indicação – com a música “Rio de Janeiro”, no filme Brazil –, nós corremos atrás desse bendito prêmio. Em tese, nós até temos um Oscar de Filme Estrangeiro por Orfeu Negro, uma co-produção entre Brasil, Itália e França que papou a estatueta em 1960. Mas ainda que tivesse parte do elenco brasileiro, o Rio de Janeiro como cenário, ser baseado na peça de Vinicius de Moraes e fosse falado em português, a Academia concedeu à França a honraria por conta do diretor, Marcel Camus, ter nascido por lá.

Com filmes tipo “raça pura”, nós já chegamos a quatro finais naquela categoria, com O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O que é Isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999). Nas quatro vezes vimos o Oscar aportando em outros países. E olha que Fernanda Montenegro ainda concorria como Melhor Atriz com Central. Só que a caseira Academia resolveu premiar a aguada Gwyneth Paltrow, em Shakespeare Apaixonado. Dor de cotovelo à parte.

O Beijo da Mulher-Aranha, dirigido por Hector Babenco, foi indicado a Melhor Filme de 1985 e rendeu ao americano William Hurt o prêmio de Melhor Ator. Mas, no fim das contas, era capitaneado por um argentino. Sim, Babenco nasceu em terras portenhas, ainda que tenha se radicado no Brasil – nem queríamos Oscar mesmo.

Os últimos brasileiros a serem indicados foram os músicos Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, autores da concorrente a Melhor Canção “Real in Rio”, tema da animação Rio. Perdeu para seu único concorrente, Os Muppets. Mesmo destino do indicado a Melhor Documentário, Lixo Extraordinário, co-produzido por Brasil e Reino Unido e co-dirigido por Karen Harley e João Jardim. Também tivemos boas chances com o curta Uma História de Futebol, que em 2001 esteve entre os indicados na categoria. Porém, nada veio na bagagem de Los Angeles.

O ápice brasileiro no Oscar veio com as nomeações de Cidade de Deus em quatro categorias, em 2002. Fernando Meirelles disputou como Melhor Diretor, César Charlone estava entre os melhores diretores de fotografia, Daniel Rezende concorreu entre os melhores montadores e Bráulio Mantovani correu atrás do prêmio de melhor roteiro adaptado. Foi um ápice sem Oscar.

Tudo bem, esse texto não foi nada animador quanto as chances de O Palhaço para 2013. Contudo, quando a Academia estiver apresentando os indicados ao prêmio mais famoso da indústria cultural, lembre-se que podemos até não ter nenhuma estatueta dourada daquelas, mas a Palma de Ouro, o Urso de Ouro, o Globo de Ouro, o Bafta e outros já estão em prateleiras brasileiras.

Agora, se Hollywood já premiou até Roberto Benigni, nosso Palhaço dá de 10 no italiano.

*Texto originalmente publicado na Revista Elite Business (ed. 1) – Outubro 2012


O Palhaço é o respresentante no Oscar 2013

palhaco

Depois de tanto fazer pelo Cinema brasileiro, Selton Mello agora tem a chance de trazer o Oscar para o país. O Palhaço foi escolhido como o representante do Brasil na disputa pelo prêmio da Academia de Melhor Filme Estrangeiro.

A Comissão Especial de Seleção, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura selecionou o drama entre 16 longas. Ele foi escolhido por unanimidade e agora será enviado para o crivo da Academia.

O Palhaço é dirigido e protagonizado por Mello e conta a história de uma trupe mambembe que viaja pelo interior do país, mas que sofre com a descrença do chefe pela profissão.

O longa deixa para traz produções fortes como Xingu, apadrinhado por Fernando Meirelles, e Heleno e Meu País, com Rodrigo Santoro.

Os indicados ao Oscar saem no dia 10 de janeiro de 2013 e a entrega do prêmio acontecerá no dia 24 de fevereiro.

Leia a crítica, clique aqui.


Crítica: O Palhaço

opalhaco_cartazA história do palhaço triste, que, em oposição, faz a alegria das plateias circenses não é exatamente original. O fato do filme O Palhaço (Idem, Brasil, 2011) seguir esse rumo, mas ter Selton Mello à frente ajuda muito para que as coisas não descambem para o lugar comum.

Dirigindo apenas seu segundo filme, mas com uma bagagem gigantesca na frente e por trás das câmeras (diretor de clipes, programas de TV, roteirista e produtor), o ator (se é possível rotulá-lo apenas assim) consegue um trabalho agridoce, meio comédia/meio drama com a história de Benjamim, que no picadeiro se transforma em Pangaré, ao lado do pai, Valdemar, o palhaço Puro Sangue. Indo a fundo no questionamento do artista que sabe fazer rir, mas não tem ninguém que faça o mesmo por ele, a trama segue o caminho do pequeno circo do qual Benjamim faz parte.

Obcecado pela compra de um ventilador, o protagonista divide a narrativa com o olhar da pequena Guilhermina, a qual assiste a tudo o que se passa com a trupe atentamente. Ela ainda será responsável por um dos momentos mais belos do longa, demonstrando a inteligência do roteiro, também de Mello, junto a Marcelo Vindicato: ao dar força para a garota, certamente ela enriquecerá o filme no momento certo.

Aliás, a construção da “fauna” de personagens é muito esperta, salpicada de gente interessantíssima e, por vezes, bizarra. Os coadjuvantes se destacam. Moacyr Franco surge num monólogo absurdamente hilário como um delegado louco por seu gato, enquanto a prostituta vivida por Fabiana Carla brinca com a persona da comediante ao ser extremamente doce e manter a fala num tom baixo e meigo, o contrário do que a plateia está acostumada. Contudo, talvez o mais importante desses coadjuvantes seja Jackson Antunes, que entra em cena (muito bem) rapidamente para dar à narrativa a linha seguir: “O gato bebe leite, o rato come queijo e eu…”. As reticências são completadas por todos os minutos que compõe a história de O Palhaço.

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A direção de Selton é primorosa e quase peca pelo excesso de esmero. Quase, afinal, os belos enquadramentos simétricos (em que elementos são dispostos igualmente nos dois lados da imagem) são irretocáveis. Principalmente com os atores atuando de frente para câmera, numa ótima sacada do diretor, já que eles estão, em última análise, num picadeiro, voltados para o público. Para rivalizar em talento, apenas o próprio Mello atuando cheio de energia sob a lona, mas com ombros caídos e fala fraca fora dali, deixando clara a descrença que o abate.

Fechando o filme com um plano-sequência impecável, o filme ainda conta com a presença do “monstro cênico” Paulo José, o qual, mesmo com sinais do Mal de Parkinson, é mais ator que 98% do elenco de qualquer filme a chegar esse ano nos cinemas. Não à toa, a ele é reservado o papel do palhaço Puro Sangue.

Nota: 9

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Clipando – Selton Mello

Selton Mello está em cartaz com O Palhaço, seu segundo longa-metragem – o primeiro foi Feliz Natal, de 2008. Contudo, uma das principais personas do Cinema brasileiro já esteve atrás das câmeras em bons clipes. Um deles foi o de “Flerte Fatal”, do Ira!, versão acústica da banda em mais um projeto da MTV, de 2004.

O vídeo é bem cinematográfico com direção de arte suja e direção nervosa, como o protagonista, vivido por Emilio Orciollo Netto. Uma boa experimentação que evita o uso das imagens da gravação do show acústico ao contar a derrota de um artista para as drogas.

Bacana.