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Ela e a testa de Joaquin Phoenix

Phoenix e a testa

Eu realmente gostei do filme Ela. Sensível, bem feito, inteligente e tem a voz da Scarlett Johansson!

Mas aí a gente vê o tipo de vídeo abaixo e nunca mais o filme emocionante será o mesmo. Assim como eu, você vai rir todas as vezes que rever essa cena. E tenho certeza que não era essa a vontade do diretor Spike Jonze para o momento. Enfim.

Assista e entenda.

 

Dica do amigo Douglas D’Andrade.

 

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Crítica: Ela

Her posterAssistir a Ela (Her, EUA, 2013) não é só ver uma história curiosa em que um homem se apaixona por uma inteligência artificial com a voz de uma mulher. É perceber como um romance pode ser original e inteligente ao retorcer clichês em sua liberdade criativa e fazer deles pontos positivos. E não basta ser singular no enredo, o longa de Spike Jonze é visualmente uma vitória da beleza, que, de novo, faz muito pela narrativa.

Os primeiros segundos do filme mostram Theodore (Joaquin Phoenix) falando belas palavras em close. É bonito e irônico ao mesmo tempo, já que logo percebe-se que ele não fala sobre seus sentimentos e faz mais um de seus trabalhos: escrever cartas que serão enviadas a desconhecidos como se fossem de um autor que pagou pelo serviço. Rapidamente Jonze coloca Phoenix andando solitariamente pela cidade em um enquadramento aberto, minimizando o personagem ante aos prédios e à carência que sente.

Ele passa por um divórcio e tem encontros bizarros em chats na internet. Isso até que ele descobre o chamado OS1, um sistema operacional inteligente que promete interagir com o usuário como se fosse uma pessoa real. O dele(a) é Samantha e tem a voz de Scarlett Johansson. Rapidamente a curiosidade dele (e da plateia), somada à simpatia da atuação vocal da atriz, fazem com que haja afeição entre os protagonistas. Ajuda muito situações como aquela em que a relação se solidifica e Samantha, guiada pela câmera do smartphone, dá um passeio com Theodore de olhos fechados por um parque. A cena é tão natural e afetiva que é como se os olhos do homem estivessem tapados pelas mãos dela – caso tivesse um corpo.

Por falar nisso, é absolutamente tocante o diálogo sobre os sentimentos reais ou não de Samantha e sobre o toque entre eles. Não é à toa, que dessa conversa vá surgir o momento mais íntimo entre o casal, de maneira tão natural quanto bonita. A escolha nessa hora de uma tela escura é a prova de que a produção tem segurança naquilo que está construindo, evita cenas explícitas desnecessárias e envolve o público apenas com sons. O relacionamento é tão interessante que, a certa altura, há uma espécie dublê de corpo para Samantha e Theodore não se sente à vontade com a presença da bela garota – a própria percebe o quanto sobra na relação.

Her

Esperta jogada do roteiro do próprio Jonze, que escancara um sentimento pra lá de humano do OS: a insegurança, a qual surge em um momento de crise de seu namorado. Puro clichê romântico, que ainda terá outros pontos de crise no arco dos personagens. Essas reviravoltas podem ser vistas em qualquer filme sobre casais, mas dessa vez o ponto de partida tecnológico da história abre caminho para que o desenvolvimento de Samantha seja a particularidade de Ela – e isso leva a um caminho nunca visitado antes por uma história de amor.

Tudo mostrado com delicadeza e bom ritmo, seja nos momentos mais melancólicos de Theodore, com belas imagens do passado entrecortando a tristeza, seja na tensão de alguns momentos entre ele e Samantha, como quando ela desaparece. Mas não basta só o cuidado da montagem de Jeff Buchanan e Eric Zumbrunnen, também é apurada a direção de arte de Austin Gorg, que cria um mundo colorido/deprê com cores sentimentais no escritório e mais soturnas na cama solitária do protagonista – repare na vista para os prédios na grande vidraça do dormitório. Repare ainda como a fotografia de Hoyte Van Hoytema dá vida a Ela, cheio de uma iluminação aconchegante. Mas a grande sacada do filme talvez seja a utilização das cores das camisas de Theodore. Quando ele conhece seu OS, não é aleatório que o vermelho/alaranjado da roupa dele combine perfeitamente com a cor da tela de inicialização do programa. Mais: em determinado encontro que não termina muito bem, ele usa um amarelo que diz muito sobre a hesitação e medo do momento. Da mesma maneira que há tristeza quando do uso da camisa azul.

Visto como uma discussão sobre as relações interpessoais dos dias de hoje, mas também um longa-metragem sobre como um corpo pode ser meramente uma embalagem (mais ou menos bonita) para uma personalidade realmente interessante, Ela é um filme delicado e tristonho. Da mesma forma que cativa e ainda faz refletir. Um primor.

Nota: 9

Her - Samantha


Clipando – Spike Jonze

SpikeJonze1S

Na versão para TV, o clipe a seguir começa com uma criança empunhando um machado avisando que nem os pequenos nem os animais foram feridos no vídeo, uma vez que ele é um profissional. Em tempos de politicamente correto até mesmo um cachorro falso e feridas trash podem causar repulsa e reações exageradas. Spike Jonze, então, foi precavido.

Menos mal, pois não deixou de fazer um clipe que explora um tipo de caos promovido por crianças, no qual destroem tudo ao seu redor, se cortam e atacam uns aos outros. Não deixa de ser divertido. A fotografia envelhecida também é positiva e serve ao clima de terror kitsch e também à busca de estilo do diretor.

E no fim das contas parece um ensaio de Jonze e de Karen O para a bela trilha do ótimo Onde Vivem os Monstros, de 2009, que tem a vocalista soltando a voz ao lado de crianças.

Assim sendo, o Clipando traz Yeah Yeah Yeahs ao som de “Y Control”, sob a direção de Spike Jonze.


Resumo (18 a 24 mar)

Three-Kings-PosterTrês Reis (Three Kings, 1999). De David O. Russel

Rei (com trocadilho) do sarcasmo em seus minutos iniciais, o longa que deu notoriedade ao hoje indicado ao Oscar David O. Russel bate forte na ação americana na Guerra do Golfo, na qual soldados foram levados para o deserto para assistirem a um combate de bombardeios – quando Mark Wahlberg mata alguém, logo nos primeiros minutos, chegam a tirar foto do momento que parece único no conflito. Mas se esse parece um posicionamento desumano, acabar descobrindo aos poucos as verdadeiras razões da guerra, que para muitos não aconteceu, também não é nada agradável para aqueles jovens tirados de sua casa – de novo Wahlberg toma conhecimento ao ser obrigado a beber parte do petróleo, o grande motivador de tudo. Quer dizer, se uma guerra é o contrário do humanismo, fazer milhares de combatentes estarem ali por razões escusas é ainda pior. Entretanto, o diretor e roteirista O. Russel tira um sarro de tudo aquilo e, literalmente, extrai dos anais (sem trocadilho) das linhas de combate de Saddam Hussein um mapa que vai levar ao ouro pilhado pelo ex-ditador. Nesse momento, a fotografia estilizada e a montagem estilosa dão um toque de absurdo à situação, enquanto quatro soldados americanos põem em ação seu plano de enriquecer com o fim das ações do Golfo Pérsico. Mas chega um momento em que a ambição deixa os corações daqueles homens e vem a boa ação do dia – ainda que meio forçada pelas circunstâncias -, e eles passam a colaborar com os presos da ditadura iraquiana. A virada na motivação dos protagonistas também marca uma mudança visual do longa, que se torna mais sério com a fotografia mais realista (sem perder o estilo), e no tom mais emocional da condução. Mesmo assim, Três Reis continua com boa trama misturando estranheza (homens mascarados surgem no deserto em meio a um ataque), com sacadas nada sutis (mas divertidas), como as imagens de dentro do corpo de Wahlberg. Obviamente que, com menos sarcasmo, a produção se ocupa a desenvolver a história e se sai bem, mesmo criando aquele velho arco de redenção dos personagens. Mas até ali eles já têm nossa simpatia e o filme pode até emocionar, vejam só. Nota: 8,5


Resumo (13 fev a 15 mar)

where-the-wild-things-posterOnde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, 2009). De Spike Jonze

Trabalhando com limites, o diretor Spike Jonze vai fundo na psiquê de um garoto e ainda consegue criar uma bela fábula sobre aprendizado e egoísmo infantil. O filme é limítrofe por, primeiro, conseguir extrair 100 minutos de uma história que tem 338 palavras no material original, o livro homônimo de Maurice Sendak. Depois pela forma com que o longa se divide entre a fofura de um menino que parece ter 10 anos e seus monstros felpudos, mas que ambos guardam problemas de caráter, seja egoísmo, insegurança ou inércia. É clara a divisão de personalidade do jovem Max entre os monstros que ele encontra numa ilha depois de fugir de casa num acesso de fúria contra a mãe. Mais impressionante é que o filme seja tão tocante e delicado, abordando questões claras de amadurecimento, sem se esquecer de um visual arrebatador, seja os das criaturas, seja o ambiente árido, mas que é estranhamente aconchegante na fotografia de Lance Acord, um tanto descolorida e, ao mesmo tempo, destacando os monstros. A trilha sonora de Karen O. e Carter Burwell dá o toque final ao clima de intimidade com os personagens, por vezes expansivos ou flagrados em seus momentos mais particulares ternos. O uivo de um dos monstros e o olhar de uma mãe ao final do longa são duas das coisas mais lindas do Cinema da década passada. Nota: 9

Kick_Ass_Poster_38Kick Ass – Quebrando Tudo (Kick Ass, 2010). De Matthew Vaughn

Se a maior parte dos filmes baseados em quadrinhos tenta ter ligação com o mundo real, se tornando mais sérios e menos coloridos, dois deles foram na contramão e se deram bem: um é Scott Pilgrim Contra o Mundo e o outro é esse, Kick Ass. O longa de Matthew Vaughn, baseado nas histórias de Mark Millar e John Romita Jr., tem uma violência surreal para uma produção desse tamanho, mas também é uma beleza de assistir. Primeiro que boa parte daquela violência sai das mãos de Hit Girl, interpretada com um carisma anormal de Chloë Grace Moretz, então com apenas 13 anos. Segundo que a história é esperta o bastante para criar vigilantes de verdade no mundo real, treinados e com corpos que se machucam. Além, claro, de ter uma contraponto a isso, que aqui se chama Kick Ass, uma heroi que veste uma roupa de mergulho verde como uniforme, combate o crime em janelas de horários nas quais não tem outras obrigações de um adolescente e que apanha muito. Tanto que o único superpoder do longa é a diminuição da dor de Kick Ass, depois que seu sistema nervoso é afetado em um atropelamento. Para dar liga à mistura entre o realista e o puramente exagerado, vem a fotografia de Ben Davis, iluminada e colorida, contrastando com o sangue que jorra sem grande problemas no longa. Nota: 8,5

horrible_bosses_ver4Quero Matar Meu Chefe* (Horrible Bosses, 2011). De Seth Gordon

Contando com uma fauna estranha – mas hilária – de personagens, o longa é daquelas comédias desbocadas que vêm aparecendo há alguns anos em Hollywood, a exemplo de Superbad e Se Beber, Não Case!. E isso é bom, pois evita o bom-mocismo e ainda garante algumas gargalhadas sem grande pretensão. O fino (se é que pode dizer que essa palavra se encaixe) são os seis protagonistas, três chefes medonhos e três funcionários amedrontados. Kevin Spacey é um cara cruel, que alimenta esperanças em Jason Bateman quanto a uma promoção. Colin Farrell é um cheirador maluco e preconceituoso que pega no pé de Jason Sudeikis. Uma perseguição que parece ser nada perto das investidas sexualmente agressivas de Jennifer Aniston ao fiel Charlie Day. Sem muito espaço para sutileza, mas com um elenco que ainda conta com um Jaime Foxx à vontade, o longa vence pelas piadas sujas e sem culpa. E uma produção que consegue fazer rir com um gato assustando seu elenco, o maior dos clichês, merece meu respeito. E só lembrando que você nunca verá Jennifer Aniston tão à vontade e poucas vezes tão linda. Quer mais? Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez