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Há alguns anos… 2001 – Uma Odisseia no Espaço

“I’m afraid, Dave”

2001Kubrick e Keir Dullea em intervalo da criação da maior viagem cinematográfica, 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)

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Crítica: Transcendence – A Revolução

transcendence-posterAssistir a Transcendence – A Revolução (Transcendence, Reino Unido/EUA/China, 2014) é uma experiência um tanto frustrante e um tanto surpreendente (negativa e positivamente). De início curioso e desfecho interessante, a produção tem um desenvolvimento altamente tortuoso. Motivo pelo qual chama atenção ter conseguido atrair um elenco de tamanho peso.

Iniciado com ritmo lento, mas nunca pedante, Transcendence mostra como o desenvolvimento tecnológico está próximo de atingir uma Inteligência Artificial superior, não só autoconsciente, mas que pode se desenvolver como nada visto anteriormente. Um atentado terrorista de uma organização que abomina esse tipo de avanço, porém, leva à morte dos melhores pesquisadores que desenvolvem daquelas tecnologias, inclusive a do personagem de Johnny Depp, Will Caster. A solução é simplesmente tentar transferir a consciência dele para um computador, o que pode ou não ser um bom negócio.

Apesar das inúmeras possibilidades apresentadas pelo longa, elas nunca encontram uma explicação à altura, seja ela verossímil ou não. Os porquês não existem, simplesmente. Veja o caso do uso intensivo da nanotecnologia. Ainda que o horizonte do artifício seja bem largo, é meio ingênuo representar as nanopartículas como uma nuvem que pode tudo, desde regenerar tecidos, como reconstruir painéis e até mesmo se transformar em meio de controle remoto de seres humanos (que ainda ganham superforça). E o que dizer da jogada de inserir um vírus de computador em um sistema como o PINN/Caster por meio de tecido sanguíneo? Tentar pelo menos explicar como um programa como o vírus será convertido em hemácias (ou algo do tipo) e depois reconvertido em dados, ninguém quer. Não vou nem comentar o monitoramento até de hormônios sem, aparentemente, haver qualquer dispositivo no corpo da pessoa em questão. Aceite, o filme diz.

Transcendence  Depp

É interessante ver tantas inconsistências em um filme que chega a citar a frase que diz que “o importante não é o destino, mas sim a jornada”, tida por muitos como a explicação da essência de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, uma das ficções-científicas mais importantes do Cinema. Outra tangência com o filme de Stanley Kubrick é o fato da versão digital de Depp ter entonação mansa e sem sentimentos da mesma forma que HAL 9000, a inteligência artificial do filme de 1968.

E aí temos outro problema em Transcendence: a falta de atuações convincentes de gente do calibre de Morgan Freeman, Paul Bettany, Cillian Murphy e Rebecca Hall. O que só reflete a falta de profundidade dos personagens, que parecem apenas seguir o fluxo da história e atenderem ao interesse da mesma. Veja como Rebbeca, ainda que “cega” pela “volta” de seu marido, passa a refletir justamente quando um contra-atraque começa a ser arquitetado.

O que é uma pena, pois se o texto de Jack Paglen sabe fazer alguma coisa é trabalhar a trama e esconder intenções para brincar com quem é vilão ou mocinho até o final. Desfecho que não deixa de ser curioso ao criar um tipo de alerta sobre o desenvolvimento humano sobre o planeta sem alarde “ecochato” e ainda derrubar expectativas.

Nota: 6

TRANSCENDENCE-2


Resumo (10 a 23 mar)

from_dusk_till_dawn-posterUm Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, 1996). De Robert Rodriguez

Vindo dos sucessos de baixo orçamento El Marichi e A Balada do Pistoleiro, Robert Rodriguez estava ao lado de um dos nomes do momento do Cinema norte-americano, Quentin Tarantino, para fazer um filme que pode ser qualquer coisa, menos previsível. Começa com uma história policial daquelas boas e termina com um filme sobre vampiros, mexicanos e caminhoneiros. Mistura original e que deu liga. Ok, há um bocado de clichês e um péssimo ator, Ernest Liu, na produção, mas o excesso de sangue e o estilo trash do filme dão conta do recado e passam a mensagem: não há nada de sério aqui, relaxe e torça para os protagonistas, que terão boas provas pela frente. O que chama atenção é que nomes de peso não são poupados pelo roteiro, que chega a nos convencer que pode haver qualquer surpresa ao final de um noite no Titty Twister. Mas se nem a promessa de um filme divertido não te fizer assistir a Um Drink no Inferno, saiba que aqui há a cena de dança mais erótica que o Cinema viu na década de 90, com uma Salma Hayek indecente de tão bonita. Nota: 8

The Shining posterO Iluminado (The Shining, 1980). de Stanley Kubrick

Sim, esse é um dos filmes de terror mais complexos que se tem notícia, mas como muitos outros do gênero depende de sua trilha sonora para se fazer como obra de respeito. Só que aí as composições de Wendy Carlos e Rachel Elkind juntadas a outas obras já existentes criam um dos ambientes mais opressores que o Cinema conheceu. Some isso ao fato da família de Jack Nicholson estar a centenas de quilômetros de distância de qualquer outra ser humano no gelado Overlook Hotel e tem-se o ambiente mais que propício para o surto do protagonista que se tornou uma clássico tão grande quanto o livro homônimo, de Stephen King, que inspirou a produção. O Iluminado é um filme de terror de primeira – soturno e bizarro -, mas também serve como leitura extremada do desespero que um escritor pode sofrer ante a um bloqueio mental. Assim como há algo sobre a questão indígena americana, com outros preferem. O que, independentemente da leitura que se faz, não diminui a importância de um filme dirigido com maestria em suas câmeras que andam pelo hotel com os personagens e de atuação insanamente genial de Nicholson, que parte do sofrimento ao mais completo louco que quer ver a família morta. Nota: 9


Há alguns anos… – O jovem Kubrick

E uma câmera na mão….

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Stanley Kubrick aos 10 anos

Resumo (30 set a 6 out)

omenpeqA Profecia (The Omen, 1976). De Richard Donner

Igual a colegas de gênero como O Iluminado e Poltergeist, aqui temos um terror cuja trilha sonora trabalha tão bem na construção do clima, que quase não se percebe sua presença nos momentos em que ela é importante. Normalmente o espectador foca sua atenção na trama, o que, grosso modo, entende-se como andamento da história (acontecimentos dela) e os diálogos que a envolve. Só que aqui a trilha de Jerry Goldsmith (que também fez  Poltergeist) se entremeia nesses elementos desde o início com o tema principal absurdamente pesado. Mas como o diretor Donner e o montador Stuart Baird não são bobos, há momentos em que os sons diegéticos fazem muito mais pela cena do qualquer música. Veja o exemplo da cena do triciclo e o silêncio quando certo personagem fica pendurado. De resto, A Profecia é inteligentemente feito por meio de elementos realistas, sem grandes arroubos de fantasia para que a história da encarnação do anticristo seja seca e pesada. Muito mais climática do que sangrenta, o que eleva determinada mortes a outros patamares, vide a chocante decapitação de uma das vítimas do mal ou um enforcamento. E mais interessante ainda é ver como uma boa realização pode fazer um garoto absolutamente angelical e sem muita expressão se tornar um pesadelo. Nota: 8,5


O Iluminado feat. A Carruagem Fantasma

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Você sabe de onde veio a inspiração de Stanley Kubrick para a famosa cena de O Ilumniado, “Here’s Jhonny”? A origem é o terror sueco de 1921, A Carruagem Fantasma, dirigida por Victor Sjöström.  Claro que a genialidade de Jack Nicholson, que bolou a frase que ficou famosa, e um movimento de câmera de Kubrick deixaram a cena do terror de 1980 com identidade própria, mas é óbvia a influência.

Deixe-me fazer entender com o vídeo abaixo.


O Iluminado te traz boas notícias

iluminado-not_pregnantNão está grávida!