Go ahead, punk. Make my day.

Posts tagged “Sylvester Stallone

Um personagem, uma frase – Rocky Balboa

Rocky

(Mão direita levantada)

“Você não vai acreditar, mas você cabia bem aqui. Eu te levantava para dizer para sua mãe: ‘esse garoto vai ser o melhor filho do mundo. Esse garoto será alguém melhor do que qualquer um que eu já conheci’. E você cresceu bom e maravilhoso. Foi ótimo assistir, todo dia era como um privilégio. Então, o tempo chegou para você ser seu próprio homem e enfrentar o mundo e você fez. Mas em algum lugar ao longo da linha você mudou. Você deixou de ser você. Você deixa as pessoas colocarem o dedo na sua cara e dizerem que não é bom. E quando as coisas ficaram difíceis, você começou a procurar algo para culpar, como uma grande sombra. Deixe-me dizer algo que você já sabe. O mundo não é todo sol e arco-íris. É um lugar muito malvado e desagradável e não importa o quão duro você é, ele vai deixá-lo de joelhos e mantê-lo lá se deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão forte quanto a vida. Mas isso não é sobre quão duro você bate. É sobre o quão forte você pode ser atingido e continuar seguindo em frente. Quanto você pode aguentar e seguir em frente. Isso é do que a vitória é feita! Agora, se você sabe o que vale a pena, então saia e consiga o que você merece. Mas tem que estar disposto a tomar as pancadas e não apontar o dedo dizendo que você não está onde você quer por causa dele, dela ou qualquer um! Covardes fazem isso e você não é! Você é melhor que isso! Eu sempre vou te amar, não importa o quê. Não importa o que acontecer. Você é meu filho e é o meu sangue. Você é a melhor coisa na minha vida. Mas até que comece a acreditar em si mesmo, não vai ter uma vida. Não se esqueça de visitar sua mãe…”

(Rocky, Sylvester Stallone – Rocky Balboa, 2006)


Crítica: Rota de Fuga

escape_plan_posterSe fosse feito há mais de 20 anos, esse seria um dos maiores filmes (em termos de tamanho mesmo) da indústria do Cinema. Afinal, seria o encontro não-paródia entre Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger – o que já havia acontecido duas vezes na série Os Mercenários, mas verdade seja dita: até então tudo passava de uma grande piada em relação a filmes como Rota de Fuga (Escape Plan, EUA, 2013). Mas outra verdade seja posta: antes os dois tivessem se mantido rindo de si mesmos.

O caso é que a produção que reúne os dois maiores astros dos filmes de ação da década de 80 até tenta ser um filme divertido e razoavelmente bem traçado, mas fica na vontade. As viradas de roteiro não causam impacto e as coisas são um tanto convenientes para os personagens. É como a carreira de Stallone e Schwarzenegger atualmente: morna e com um ou outro momento realmente interessante.

A história começa bem com a apresentação do personagem de Sly sem muita conversa, mas com bastante mistério, o que deixa a plateia bem interessada. O ideal seria você ir ao Cinema sem saber absolutamente nada desse início para que o melhor do filme não fosse revelado. Pois é, o clímax de Rota de Fuga é sua abertura inteligente e divertida. O que é um problema, pois a partir dali a narrativa esfria e o que se tem é a velha história da tentativa de fuga de uma prisão aparentemente inviolável que vai envolver novamente Stallone com a ajuda de Schwarza.

O máximo que o roteiro de Miles Chapman e Jason Keller consegue dali pra frente é se fazer de inteligente ao colocar na boca de Stallone um sem número de informações sobre estruturas carcerárias. Algo que torna o segundo e terceiro terços do longa um grande falatório – que seria surpreendente para um filme dos protagonistas, cujos talentos normalmente são as cenas de ação, não fossem esses diálogos puramente expositivos.

Escape-Plan_

Fora que  Chapman e Keller são bem companheiros do especialista em fugas vivido por Sly. Afinal, há facilidades demais para que o personagem consiga elaborar seu plano na tal prisão. Chega a ser absurdo um local com tanta umidade, como o próprio Stallone salienta, ter peças de metal que podem ser corroídos pela ferrugem. Note que inicialmente ele acha que o local tem certa presença de água, o que poderia justificar o engano da teoria dele, mas logo descobre-se que a presença de água é bem maior. O que indica que ali esteve o pior engenheiro do mundo. Outra coisa é contar que guardas não verificarão in loco uma câmera que apagou de repente, achando que foi todo o sistema que falhou. Mais: o filme tem uma grande quantidade de brigas que servem para que os protagonistas consigam coisas, só que é conveniente demais que em nenhum momento eles sejam derrubados por outros presos em uma dessas pancadarias.

A boa notícia é que Schwarzenegger, ainda que canastrão até as tampas, é carismático e ganha a atenção do público, chegando ao ápice em um engraçado surto na solitária. Enquanto isso Jim Caviezel volta a ter um papel de destaque em uma produção maior desde A Paixão de Cristo e o desperdiça tamanha a fetação do diretor Hobbes que ele compõe. Típico vilão exagerado que tinha a intenção de ser divertido. Tinha. Assim como Rota de Fuga poderia ter sido legal. Poderia.

Nota: 6

Escape-Plan_2


Resumo (22 a 28 jul)

COBRA POSTERCobra (Idem, 1986). De George P. Cosmatos

Típico filme de nicho, Cobra não foi feito para qualquer um, ainda que não seja profundo. Ele é quase um tipo de avô de longas como Mandando Bala e Adrenalina, mas sem a comicidade. Sabe aquele tio-avô sério que muitas famílias têm? Antes de Jason Statham sair correndo para evitar que seu coração pare, o policial durão vivido por Sylvester Stallone era estilo + ação em uma equação que ainda inclui aquele tipo de romance brega e pegajoso, mas que no final temos um fita muito bem resolvida no que quer oferecer à plateia. Cobrando, claro, que ela esqueça as noções de realidade do lado de fora da sala de cinema ou de sua casa. A cena de abertura do filme é uma obra-prima oitentista que tem uma das maiores concentrações de frases de efeito por minuto de filme da história do Cinema – “Você é a doença. Eu sou a cura” é só a mais famosa. Nela fica bem estabelecido tudo o que vai acontecer dali para frente: desde o sarcasmo do protagonista à vilania bizarra que ele enfrentará, passando pelos métodos violentos (mas bem intencionados) de Cobra. Dali para frente serão estabelecidas as bases da trama e as investigações começam a rolar. Não adianta nem questionar a confusão temporal que o roteiro do próprio Stallone arranja entre a mocinha do filme passar pelos vilões e ser atacada depois de um ensaio fotográfico – alguém me explica quantas horas dura aquela noite? -. O filme vai além disso, aliás, nem se importa com isso, visto que o objetivo aqui é desenvolver o personagem-título por meio de seus feitos com uma arma, branca ou de fogo. Quando foi lançado, Cobra foi acusado de abusar da violência e incitar a chamada “justiça com as próprias mãos”, só que em tempos de Capitão Nascimento, Marion Cobretti (o verdadeiro nome) parece até um senhor de família com seus óculos espelhados e o palito de fósforos da boca. Como eu disse, estilo + ação = relaxa. Belas cenas noturnas urbanas, cortesia da fotografia de Ric Waite. Nota: 8