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Crítica: Guerra Mundial Z

World-War-Z-Poster-2013A certa altura, já com o caos zumbi estabelecido em Guerra Mundial Z (World War Z, EUA/Malta, 2013), Brad Pitt diz a uma família que lhe dá abrigo que “movimento é vida”. Até parece que o diretor Marc Forster e os roteiristas Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard e Damon Lindelof estão fazendo um pequeno resumo do que será todo o longa, pois é na energia de cenas de ação incansáveis que está o vigor da produção. O filme simplesmente não para.

Tudo bem, há um respiro ou outro durante os 116 minutos da trama, o que não quer dizer que o ritmo não continue sempre em alta rotação – e com a soma de tensão aqui e ali. Desde a sequência de créditos é estabelecido esse clima tenso e de que algo não vai bem. Ao som de “The 2nd Law: Isolated System”, do Muse e relatos de comportamentos estranhos, Guerra Mundial Z não perde tempo e com menos de 15 minutos um pandemônio toma conta da tela. Lá está Brad Pitt e a família para fugir dos ataques de seres agressivos que outrora foram humanos. O primeiro ataque das criaturas é vital para estabelecer algumas regras, como o tempo de transformação e a forma como são ágeis e raivosos – até mais que os vistos em Extermínio.

O objetivo dos personagens, a partir dali, é se manter vivo enquanto uma cura pode ser pensada. O que há de criativo mesmo são as excelentes cenas de ação. O que acha de ataque num ambiente como um avião em pleo voo? Ou uma corrida desenfreada no topo de um prédio enquanto Pitt e a família tentam entrar em um helicóptero? Ou a maior de todas elas, em Jerusalém, quando uma horda de zumbis escala muralhas e invade a cidade sitiada? O diferencial aqui é a maneira como Forster acompanha a corrida (ou os saltos) dos mortos vivos por meio de câmeras virtuais ligeiras. Isso e mais a forma como a equipe elaborou os ataques em ondas completamente irracionais, mas tomada pela brutalidade das criaturas – o que permite a escalada das tais muralhas e as corridas desesperadoras dentro de Jerusalém. É quase épico e certamente impressionante. E não se engane, há uma dose certa de drama em meio à velocidade. Repare como Pitt para em certo momento na beirada do terraço de um arranha-céu por achar que está infectado e conta até ter certeza de que não se transformará e atacará suas filhas e esposa.

Outra detalhe bastante esperto da produção é o aspecto global da epidemia, que sai do quintal norte-americano. E, claro, o longa respeita umas das regras de ouro do subgênero: não há muitas explicações para os eventos que levam ao apocalipse zumbi. A novidade aqui é a aplicação do 3D convertido – uma atração dispensável, diga-se de passagem. Exceto por um único momento em que os errantes nervosos aparecem subitamente de frente a um plano subjetivo, o que se vê na tela é muita confusão com objetivos desfocados em todo o quadro. Além disso, na parte negativa do filme estão os variados momentos em que o protagonista é lançado convenientemente a um lugar. Os exemplos são muitos, da a invasão de Jerusalém – que até a chegada de Brad Pitt era um reduto da resistência humana – ao local de impacto do avião que o transportava, o qual está próximo de seu destino (um laboratório da OMS).

De qualquer forma, não deixa de ser interessante que um longa cheio de energia e correria termine em uma passagem na qual a montagem ágil dê lugar para momentos em que as unhas do espectador sofrem devido à tensão.

Nota: 8,5

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Curta: Cargo – Sobre pais, filhos e zumbis

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Sabe aquela cena que está em praticamente todo os filmes sobre zumbis, na qual alguém querido se torna um morto-vivo e a pessoa não quer aceitar? Clichê, né? Pois pense novamente no que vai dizer e assista a Cargo, um curta-metragem extremamente emocionante e criativo em meio às inúmeras produções do subgênero atual.

Não é bom ficar falando muito, mas só imagine qual seria sua reação caso estivesse no lugar do protagonista do filme: de repente você acorda e, ainda zonzo, se descobre ao lado de um zumbi e ainda deve cuidar de sua filha recém-nascida. Belo trabalho dos diretores Ben Howling e Yolanda Ramke, que os rendeu uma final no festival de curtas australiano Tropfest.

De nada.


Posteridade – World War Z

Um cartaz com mortos-vivos se empilhando em meio à destruição até chegar a um helicóptero? Pôster do ano!

World War Z aprendeu as lições dos antecessores e promete.

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Extermínio, pai dos zumbis modernos

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Artigo escrito no fim de 2012 para publicação de Uberlândia (mas a publicação não vingou, fazer o quê?)

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Um homem acorda num hospital sem saber o que está acontecendo, pois o local que deveria estar cheio de pessoas está abandonado. Em poucos minutos, ele vai entender melhor a situação quando encontra uma pilha de corpos e é atacado por um morto-vivo. Essa cena pôde ser vista recentemente na série The Walking Dead, em sua primeira temporada, de 2010. Mas oito anos antes, ao som da banda de post-rock Godspeed You! Black Emperor, o apocalipse zumbi foi descoberto da mesma forma pelo ator Cillian Murphy, protagonista do ótimo Extermínio (28 Days Later, no original).

Em 2012, o filme do cineasta Danny Boyle completou 10 anos e como um das séries de maior sucesso do momento mostrou, seu legado foi muito maior do que os baratos US$ 8 milhões investidos na produção poderiam indicar inicialmente.

Extermínio não só foi um sucesso de bilheteria, faturando algo próximo de US$ 83 milhões pelo mundo, foi também o impulso para uma onda de filmes de zumbis em todo o mundo. Para se ter uma ideia, até o mestre criador do subgênero do terror, George Romero, voltou a filmar uma história de mortos-vivos com Terra dos Mortos, de 2005, exatamente 20 anos depois de O Dia dos Mortos.

Mas o longa-metragem de Boyle foi mais longe e criou tendência: os antigos zumbis lentos e decrépitos vistos pela primeira vez em A Noite dos Mortos Vivos, de 1968, se transformaram em verdadeiros atletas velocistas. Nessa mesma linha, seguiram a refilmagem do clássico Madrugada dos Mortos, de 2004, e o ótimo espanhol [REC], de 2007. E Brad Pitt os espera nos próximos como Guerra Mundial Z. Saindo do gênero, ainda temos os seres meio zumbis, meio vampiros de Eu Sou a Lenda, – e você pode até não concordar com o tipo de monstro nesse filme, mas não da influência. Repare ainda que em todas essas produções as atrações principais são seres que parecem ser guiados mais por um tipo de raiva do que apenas pelo instinto primário da fome.

A coisa fez tanto sucesso que, claro, a sátira do estilo não demorou a chegar. Ela veio em grande estilo na comédia Todo Mundo Quase Morto (também muito conhecida pelo título original, Shaun of the Dead). O longa retoma as origens vagarosas “zumbíticas” e faz graça com isso, ao mostrar seus personagens se aproveitando da “burrice” dos mortos-vivos e simplesmente se misturam entre eles andando de forma trôpega. Em 2009, Zumbilândia fez coro satírico, ainda que colocando os zumbis para correr. O que não impediu o protagonista de ter uma solução: é só manter o fôlego em dia e correr ao redor de um carro quando um pequeno grupo o persegue – assista e entenda.

Nada mal para uma produção que começou tímida, nas mãos de um cineasta que não havia feito um terror na vida e caprichou na inovação: Danny Boyle reciclou clichês como os ataques noturnos sob a chuva e criou um desfecho catártico para sua obra. Além de transformar Extermínio em um artigo cultuado, aplicando suas técnicas mais moderninhas, como buscar junto com seu montador cortes cheios de estilo e aplicar uma trilha sonora que dilui sombras em batidas pop.

Ganhou uma continuação cinco anos depois de lançamento – e vem ganhando fãs há uma década.


Resumo (21 fev a 6 mar)

LastAirbenderPoster2O Último Mestre do Ar* (The Last Airbenber, 2010). De M. Night Shyamalan

Não que este seja o pior filme de M. Night Shyamalan (há A Dama na Água na frente), mas em filmes como o fraco Fim dos Tempos o problema estava principalmente no roteiro, o que também acontece aqui, porém sem qualquer lampejo daquele bom diretor que ainda criava boas sequências. Nessa adaptação do desenho animado “Avatar”, tudo é muito morno e corrido, não há espaço para os personagens, os quais simplesmente seguem a trama sobre grupos que dominam elementos da natureza em guerra. À espera de um messias para balancear as forças, o filme vai revelando que o salvador pode ter chegado, mas mesmo dando gancho para uma continuação Shyamalan não consegue se aprofundar nos dramas, nem na ação e seu roteiro acelerado ainda deixa buracos fenomenais – se a Nação da Terra consegue fazer aquele estrago no acampamento de trabalhos forçados da Nação do Fogo, por qual motivo não fez antes? -, isso sem contar a direção de pouca inspiração, que cria apenas um bom momento, já no final, quando Aang cria uma gigantesca barreira de água. Um desperdício de material. Nota: 5,5

metal_a_headbangers_journeyMetal – Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal (Metal – A Headbanger’s Journey, 2005). De Sam Dunn, Scot McFadyen e Jessica Joy Wise

Uma análise interessante e divertidíssima do mundo heavy metal feita por um antropólogo apaixonado pelo estilo musical. E as coisas vão além, trata-se de um modo de viver analisado em suas origens, influências, componentes e comportamento. Assim, é surpreendente saber que muitos dos rockeiros surgem em ambientes problemáticos financeiramente ou o quanto a música considerada pouco sofisticada tem pontos em comum com compositores clássicos como Wagner. No sentido cinematográfico é maravilhosa a fusão de “Prelúdio e Fuga em Dó Menor”, de Bach, com “Eruption”, do Van Halen, a certa altura do longa. Além do estudo da cultura headbanger, Metal ainda reserva uma verdadeira aula para quem quer conhecer mais sobre as inúmeras ramificações do gênero, feito por gente que entende do riscado: de Bruce Dickinson, do Iron maiden, ao sinistro Gaahl, do Gorgoroth, passando pelo esquisitaço Necrobutcher, pelo divertido Dee Snider e pelo boa praça Ronnie James Dio. Vale cada batida de cabeça. Nota: 8,5

knight_and_day_posterEncontro Explosivo* (Knight and Day, 2010). De James Mangold

Eu já disse que sou fã de exageros à lá Carga Explosiva e Adrenalina, mas o que acontece em Encontro Explosivo é justamente o contrário do que pretendem os dois filmes anteriormente citados: se levar à sério. Neste verdadeiro veículo para o charme de Tom Cruise as cenas de ação são cheias de “forçações de barra”, mas nada daquele tipo que fez a fama de Jason Stathan, e sim daqueles que fizeram a derrocada de Arnold Schwarzenegger em O Último Grande Herói. Você pode até achar estranho dizer isso de um filme que quer ser só bem humorado, mas Encontro Explosivo se leva bem à sério, tentando criar um super agente hiperbólico no início da trama, ele vai se tornando um cara que negocia demais para quem pode dar saltos gigantescos em motos e atirar com 100% de precisão. O ritmo alucinante na abertura dá lugar a um jogo de gato e rato sem graça aos poucos, já que exige-se um romance entre Cruise e Cameron Diaz – uma relação que ainda guarda aquele rompimento estratégico lá pelas tantas apenas para criar algum tipo conflito. E já que toquei no assunto, incrível como o roteiro estica um ponto de partida que daria no máximo um curta-metragem para mais de 100 minutos. Chato, exagerado e sem mojo. Nota: 5

cartazoficialacapitaldosmortosA Capital dos Mortos* (Idem, 2008). De Tiago Belotti

Tosco, engraçado e divertido, A Capital dos Mortos não é um bom filme, mas é legal. A trama: Brasília é invadida por zumbis e grupo de amigos tenta se manter vivo. Os atores: todos de segunda ou terceira – sei lá se são profissionais. A direção: criativa, mas descuidada – a cidade passa pelo apocalipse, mas há vários carros andando normalmente pelas ruas. O roteiro: criativo, mas clichê do início ao fim – narrativa fragmentada, entes tendo que ser mortos, teorias manjadas para explicar a invasão dos mortos, etc. E apesar da tosqueira, o longa é daqueles feitos para ser assim, mas não produzidinho como um produto buscando um nicho, está claro que foi feito na raça e capricha na podreira quase que involuntariamente. Não há a profundidade que George Romero um dia teve, porém não há picaretagem. O projeto é independente, saído da cabeça do diretor Tiago Belloti e filmado inicialmente com apenas uma câmera. O parto do longa foi de 27 meses e teve inúmeros colaboradores que tinham o único objetivo de ser um zumbi na eficiente maquiagem da produção. Para saber mais acesse o site de A Capital dos Mortos. Tem até DVD à venda. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez