Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (7 a 13 fev)

poster-ninth_gateO Último Portal* (The Ninth Gate, 1999). De Roman Polanski

Eu respeito Polanski, um dos maiores de todos os tempos. Mas como você deve saber, ninguém é perfeito e ao assistir a O Último Portal, pode comprovar materialmente que nem o cara por trás de O Bebê de Rosemary e O Inquilino é blindado dentro do gênero no qual se tornou um expoente. Dizer que aqui há um filme de terror é mera rotulação, já que há alguns poucos elementos espalhados pela trama sobre uma investigação a respeito da autenticidade de um livro que pode ter sido escrito pelo próprio Lúcifer em colaboração com um homem. Nos primeiros minutos do longa, a boa mão de Polanski é percebida por meio do mistério – parece que há sempre algo a mais, não revelado -, além de uma maldade implícita em cada cena, seja no suicídio filmado com uma naturalidade incrível ou nos diálogos satânicos que mais parecem uma conversa trivial. Além do humor negro característico de um roteiro escrito pelo próprio cineasta. Entretanto, aos poucos, o suspense criado começa a se esvair num misto de não ter para onde ir e não saber como contar. Passando por um dose maciça de falta de ritmo durante o segundo ato da narrativa, O Último Portal cria um desfecho dos mais infantis e cria cenas que nem parecem dirigidas por alguém como Polanski, a exemplo do ridículo ritual para de invocação do Diabo e no repeteco do voo de Emmanuelle Seigner. Difícil de entender o que o cineasta queria fazer. Pena que um dos grandes atores da atualidade, Johnny Depp, tenha trabalhado com ele nesse longa desnecessário. Até o mediano A Janela Secreta, de temática parecida, teve melhores resultados. Nota: 6

amelie posterO Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, 2001). De Jean-Pierre Jeunet

Alguns filmes nascem para serem mágicos. Amélie Poulain talvez seja um dos maiores exemplos disso. Tudo, absolutamente tudo na produção tem esse viés, desde sua maravilhosa fotografia iluminada em tons esverdeados e amarelados até os personagens que pertencem a um tipo de realidade alternativa, passando pela narrativa rápida, romântica e de tons melancólicos, ainda que esta seja daqueles histórias que te deixam de alma lavada. Se peca em algum ponto, pode-se destacar uma demora desnecessária na concretização da relação entre Amélie e Nino, mas perfeitamente compensada pelas cenas que fecham o longa. Aliás, compensada por quase 120 minutos de cenas de visual e beleza excepcionais. E como descobrir novos detalhes em um filme a cada sessão, não é mesmo? Dessa vez me chamou muito a atenção o momento em que Madeleine lê a carta montada por Amélie. Enquanto a narração acontece, repare nos sons ao fundo, eles mostram de qual das antigas cartas saíram as frases, lidas pela protagonista minutos antes e ilustradas com os mesmos efeitos sonoros. Delicado e belíssimo. Como todo o filme. E alguém ai tem dúvida de que Amélie Poulain está entre as maiores personagens femininas da História do Cinema? Nota: 9,5

el-secreto-de-sus-ojos_posterO Segredo dos seus Olhos* (El Secreto de sus Ojos, 2009). De Juan José Campanella

Se há uma palavra para definir O Segredo dos seus Olhos ela é sutileza. Não há qualquer sequência, elemento ou atuação que transpareça algo de maneira gratuita ou exacerbada. E se há como reduzir todas as camadas do filme em um elemento, ele é a paixão. É ela que move todos os personagens, mesmo que essa paixão seja algo negativo e leve uma garota inocente a ser estuprada e morta. O filme trata justamente desse crime e como vários personagens que orbitam a tragédia desenvolvem suas vidas a partir daquele ponto. Há uma fala maravilhosa de Pablo Sandoval (vivido com gosto por Guillermo Francella) que resume toda a narrativa. Num bar, ele relê cartas do suspeito a procura de alguma pista e não sendo bastante eloquente em seu discurso sobre como mudamos qualquer coisa em nossas vidas, exceto as paixões – algo que justificará cada uma das atitudes vistas na tela -, o roteiro ainda organiza uma daquelas ótimas epifanias que levam suas investigações à frente e culmina num plano-sequência absolutamente fantástico, o qual começa numa panorâmica sobre um estádio e se desenvolve numa perseguição cansativa e realista. O Segredo dos seus Olhos é narrado por meio de flashbacks, depois que o protagonista Espósito (Ricardo Darín), aposentado, resolve retomar suas lembranças e escrever um livro sobre o caso que acompanhou nos últimos 25 anos. Cena a cena, o cineasta Campanella, também roteirista ao lado de Eduardo Sacheri (adaptando seu próprio romance, La Pregunta de sus Ojos), cria uma narrativa sólida, à primeira vista sobre maldade, a busca de castigo e de final perturbador. Todavia, seu maior mérito é ir além, trazendo sutileza em meio a um ambiente tão bruto, inteligentemente filmado e escrito – o uso do recurso de pista e recompensa aqui é extraordinário. Ao final, as peças se encaixam perfeitamente e a vida de quem passou pelo filme será mudada, de forma esperançosa ou angustiada, mas com caminhos diferentes a serem seguidos. A dica para ver o longa é: seja atento aos detalhes, eles fazem toda a diferença, e tente ir além da história sobre a investigação. Nota: 10

*Filme visto pela primeira vez

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13 responses

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  2. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain – eternamente meu favorito, juntamente com “As horas”

    16 de Fevereiro de 2011 às 4:28 PM

    • ‘As Horas’? Uau… acho um dos piores que já vi… *rs Mas, enfim, Amélie é ótimo!

      16 de Fevereiro de 2011 às 6:17 PM

  3. Arthur Vaz

    O Segredo de Seus Olhos é genial. Eu avisei.

    21 de Fevereiro de 2011 às 10:23 PM

    • Tão bom quanto Cisne Negro!

      22 de Fevereiro de 2011 às 12:59 AM

  4. “O Segredo dos Seus Olhos” tem a sutileza dos clássicos. Coisa rara de ser feita (e bem feita) hoje em dia.

    25 de Fevereiro de 2011 às 9:29 PM

    • Um filme incrivelmente mau, mas de uma sensibilidade que me comoveu…

      25 de Fevereiro de 2011 às 11:46 PM

  5. Amélie é a Pollyana dos novos tempos. Vil e manipuladora. hahaha Esteticamente bonito quem estraga o filme é a propria protagonista.

    6 de Abril de 2011 às 2:05 PM

    • Você não gosta da Amelie? o.O Deixe-me entender?

      6 de Abril de 2011 às 2:22 PM

  6. Nao gosto de Amelie =)

    6 de Abril de 2011 às 2:24 PM

  7. Jess Block

    Anh, não leve a Rafa a sério. Ela gosta de “Antes do amanhecer”… tsc tsc

    24 de Abril de 2011 às 12:22 PM

    • Mas Antes do Amanhecer é massa!

      24 de Abril de 2011 às 3:25 PM

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