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Há alguns anos… – Os Sutherland

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Donald Kiefer SutherlandDonald e Kiefer Sutherland, pai e filho, em algum momento entre o fim da década de 60 e o início da década de 70

Crítica: Somos Tão Jovens

somos-tao-jovens posterUma palavra simples pode definir Somos Tão Jovens (Idem, Brasil, 2013): artificialidade. Exceto por uma única cena de sentimento real, os pouco mais de 100 minutos de filme não se aprofundam e as atuações do elenco secundário chegam a ser vergonhosas em alguns momentos. Thiago Mendonça até consegue criar uma boa visão do protagonista, o músico Renato Russo, e recebe a ajuda da boa companheira de cena Laila Zaid – ela é Ana, melhor amiga do cantor. De resto, somente o trabalho musical de Carlos Trilha, que faz as versões instrumentais das canções do Legião Urbana para a trilha do longa se salva com dignidade.

Esta não é uma biografia completa da vida do artista que se tornou um poeta do rock nacional –  grande graduação no gênero. É a tentativa de buscar o período em que Renato Manfredini Júnior se torna o Russo, entre a ascensão e a queda do Aborto Elétrico e pouco antes do estouro do Legião. Anos que o roteiro de Marcos Bernstein, ao invés de mergulhar no sentimento de isolamento e tédio do artista, desperdiça apenas para citar aqui e ali curiosidades sobre a vida do músico – é citada a fonte de inspiração para “Eduardo e Mônica” e que o Legião Urbana fez o primeiro show na cidade de Patos de Minas por meio de um engano dos contratantes. O resultado até entretém, mas fica longe de criar uma conexão entre plateia e protagonista – caso a primeira não seja formada apenas por fãs do artista e que 2 Filhos de Francisco soube fazer com gosto.

Fora que a boa intenção de Bernstein em tentar encaixar versos ou títulos de músicas de Russo nos diálogos falha miseravelmente por não soarem naturais. Pior que isso somente o sotaque sul-africano que Sérgio Dalcin desfila em seus poucos minutos em cena como Petrus. Repare como ele simplesmente perde a pronúncia no momento em que chora dentro de um armário.

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Por falar em elenco, é difícil curtir as “participações especiais” de personagens como Herbert Vianna ou Dinho Ouro Preto, quando o primeiro é interpretado por Edu Moraes com um tipo de dicção que lembra a dos imitadores de Pelé e o segundo mal consegue falar – e quando o intérprete Ibsen Perucci abre a boca para falar do Punk Rock parece que decorou uma lição para a escola. Não é bom nem falar nada sobre o quanto Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá parecem dispensáveis sob a ótica do filme.

O que aumenta a pressão sobre o trabalho de Mendonça na pele do biografado. Se não há a genialidade que Daniel de Oliveira conseguiu em Cazuza – O Tempo Não Pára, ele é convivente o bastante não só dançando como o músico, mas flexionando os diálogos de maneira a emular o verdadeiro Renato e até cantando com voz próxima do ídolo – ainda que seja perceptível a diferença em vários momentos, o que não diminui a coragem de Thiago. A química entre ele e Laila Zaid, então, consegue injetar a genuinidade que falta a Somos Tão Jovens. Não é à toa que a amizade dos dois rende o ponto alto do longa ao som de uma das bonitas músicas de Renato, já nos minutos finais. Pena que o Thiago Mendonça tenha que lidar com a mania que muitos roteiristas têm de criarem biografados como poetas 100% de seu tempo, assim como aconteceu, por exemplo, com Virginia Woolf, em As Horas, ou o próprio Cazuza. O Renato Russo de Somos Tão Jovens sempre tem uma frase esperta/reflexiva/poética na ponta da língua. Ele não fala como gente normal, ele tem “pílulas de saber” a serem distribuídas às pessoas.

E se a reação de muitos ao desfecho da cinebiografia é de revolta, o problema não foi o ponto onde Bernstein e o diretor Antonio Carlos da Fontoura resolveram terminar essa história, mas a forma como isso acontece: seca, sem um clímax real e um conflito não resolvido – afinal, se aquele era o destino de Renato, formar sua Legião, faltou criar a estrada que apontava aquele caminho – como mostrar a aproximação dos membros do grupo com o cuidado que existe ao falar do Aborto Elétrico. Do jeito que ficou, mais parece falta de opção para chegar a um final.

Nota: 5,5

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Resumo (15 abr a 6 mai)

take shelterO Abrigo* (Take Shelter, 2011). De Jeff Nichols

Irmão paranoico de obras como O Suspeito da Rua Arlington e Possuídos (o qual também tem no elenco Michael Shannon), aqui há um filme quase contemplativo sobre a descida de um homem a um tipo de inferno mental o qual não consegue combater ou compartilhar. Desde a primeira cena há algo de errado com Curtis (Shannon), quando o flagramos fitando uma tempestade oleosa que o encharca. Logo ele terá mais sonhos estranhos e aterrorizantes, que o minam e o fazem se isolar. Primeiro vêm cercas para seu cachorro, depois “abismos” para pessoas muito próximas. Enquanto isso, uma força obsessiva o faz ampliar (a qualquer custo) seu abrigo contra desastres naturais. Obviamente a paranoia do protagonista ganha corpo, mas o que chama a atenção é que o diretor e roteirista Jeff Nichols não está disposto a extrapolar os limites da realidade e da loucura, deixando bem claro quando seu personagem passa por uma alucinação e quando vive um momento de sanidade. O que não afasta a constante sensação de estranheza que permeia a trama. Muito disso vem do sofrimento de Curtis, que em determinado momento sonha com a esposa (Jessica Chastain) e pede para que ela não o ataque, pois de alguma forma, ela representa seu último refúgio – ainda que não consiga se abrir nem com a esposa. Como nos melhores filmes sobre loucura, a dúvida sempre paira a história e o drama que surge dali faz de O Abrigo um filme sem grandes arroubos, o que gera, na única cena mais intensa, sentimento genuíno e palpável, quando a família se fecha no tal abrigo. E não é bom falar muito que é para não estragar o que o roteiro simples e eficiente desse longa. Nota: 8,5

basketball diariesDiário de um Adolescente (The Basketball Diaries, 1995). De Scott Kalvert

Leonardo DiCaprio, Mark Wahlberg, um tema polêmico, a biografia de um artista cult (Jim Carroll) e uma direção antenada com aquilo que a MTV trazia de melhor em sua manipulação de imagem e criação de estilo. Seria difícil Diário de um Adolescente não dar certo. Pois todos os elementos se fundiram muito bem, principalmente na não suavização da história, que inclui drogas, prostituição e toda uma geração que vai direto ao fundo do abismo pela delinquência e (incrível!) inocência. DiCaprio e  Wahlberg, com sua juventude hollywoodiana, (bonita e alva) são símbolos perfeitos de uma mentalidade que acha estar acima de qualquer problema ou que simplesmente não está a fim de amadurecer – ou mais: não tem consciência da necessidade se tornar um adulto. A adolescência, no entanto, é perdida para as drogas. Uns se salvam. Outros se perdem. Enquanto isso, Scott Kalvert filma tudo em tom de clipe e deixa a montagem, elegante e cheia de fades de Dana Congdon, guiar seu filme, que se tornou um tipo de símbolo para quem passava pela puberdade na mesma época. Fato explicado pela grande estilização e pela forma ousada com a qual o filme é conduzido – cenas de felação, uso de drogas e tiros de escopeta em sala de aula. Distante alguns anos das primeiras vezes que vi o longa (e da adolescência), digo que o documento que Diário de um Adolescente deveria ser, não tem a mesma força, ainda que o tenha assistido, dessa vez, como uma produção um tanto mais triste e de esperança relativa, afinal, nem todos se salvam e os que sobram nem sempre reservam um esforço para trazer alguém de volta à tona. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

Crítica: Mama

MamaAté chegar a Hollywood, o argentino Andrés Muschietti tinha no “currículo oficial” apenas dois curtas. O segundo deles, o arrepiante Mamá, de 2008, traçou um novo rumo para o cineasta. A convite de Guillermo Del Toro, adaptou o conto de terror para longa-metragem e estreou recentemente nos cinemas mundiais com Mama (Idem, Espanha/Canadá, 2013). Não é possível dizer que foi a melhor das estreias, assim como não é possível dizer que se trata de um filme ruim.

Muschietti  é criativo e sabe usar o ambiente a favor de seu filme e junto do seu diretor de fotografia Antonio Riestra abre a produção com imagem azulada e em clima gélido para criar uma ambientação opressora. A história começa com um pai surtado que acaba de matar sócios e esposa e foge com as duas filhas por uma estrada coberta de neve até sofrer um acidente próximo de uma cabana. Lá, novamente, Muschietti e  Riestra dão outra amostra de seus talentos ao usar a escuridão e o desfoque da imagem organicamente ligadas à trama. A partir dali seguimos a história das crianças, que serão criadas por uma entidade, a Mama do título, e achadas pelos tios, 5 anos após o acidente.

Mas desde aquele início há alguns detalhes que incomodam. A começar pelo uso exagerado de efeitos visuais, por exemplo, na concepção do veículo que se acidenta. E continua nos inúmeros clichês e sustos fáceis que o diretor arma durante o filme – seja uma sombra que corta a tela ou uma aparição sinistra acompanhada com acordes altíssimos da trilha sonora que não acrescentam nada ao filme. Além do mais, convenhamos, ver uma cena em que um ambiente é iluminado por luzes intermitentes – aqui há flashes de uma câmera fotográfica – já perdeu o impacto. O que contrasta muito com outros momentos inspirados, a exemplo daquele em que uma câmera fixa capta a movimentação num corredor da casa e no quarto das crianças. De um lado está a brincadeira descontraída de uma das meninas e do outro a tia delas, vivida por Jessica Chastain, anda pelo corredor até que se descobre a companhia da criança no quarto. Típica cena na qual o sorriso acontece um tanto nervoso.

Por falar em Jessica Chastain, os contrastes do roteiro também são grandes, principalmente na construção dos personagens. Se de um lado existe o cuidado de criar personalidades complexas para as crianças, a plateia terá dificuldade de identificação com a importante peça no filme que é Jessica. As meninas ganham um ar animalesco com o passar dos anos longe da civilização, o que ajuda até mesmo na criação de cenas medonhas, como quando são encontradas na floresta e no andar da mais jovem pela casa. Entretanto, a tia delas inicia o longa como um entediado ser humano cheio de gracinhas e que agradece por não estar grávida. Era para ela ter um grande arco maternal, mas que, no fim das contas, se torna apenas uma convenção do roteiro. Exceto por uma solitária cena boa entre Chastain e as meninas, a afeição que começa existir ali não tem justificativa plausível. Muschietti até tenta cria-la em closes na atriz, mas é difícil achar verdade naquilo. Ficam escancarados os propósitos da contratação de Jessica, que deveria se conectar rapidamente (e mercadologicamente) com a plateia por meio de sua fama recente, só que esqueceram de fazer um personagem do qual o pessoal da poltrona pudesse gostar e não achar um porre. A pergunta que fica é: por qual motivo as meninas deveriam estar com ela e não com a Mama, com a qual se dão bem?

O desfecho de Mama, então, fica encarregado de salvar a produção. Emotivo e com certa dose de beleza, peca por se estender um pouco além da conta e por, de novo, usar em demasia efeitos visuais (qual o problema em usar maquiagem?). Entretanto, maldade e lirismo se contrabalanceiam e  chegam a emular um tipo de final feliz – que aqui não cai tão mal.

Nota: 7

Mama Jessica Chastain

O Iluminado te traz boas notícias

iluminado-not_pregnantNão está grávida!

Iron Man 3 – Suecado

Bom, é o trailer do Homem de Ferro 3 suecado… Por um grupo de comédia (acho que tailandês) chamado Fedfe Boyband.

Dica de Sílvio Azevedo

Um personagem, uma frase – Somerset

seven“Ernest Hemingway escreveu certa vez: ‘O mundo é um lugar bom e vale a pena lutar’. Eu concordo com a segunda parte”.

(William Somerset, Morgan Freeman – Se7en, 1995)

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